InícioAmazonasIbama aplica R$ 2 milhões em multas por queimadas ilegais na Amazônia...

Ibama aplica R$ 2 milhões em multas por queimadas ilegais na Amazônia e embarga 250 hectares

- Advertisement -

Fiscalização identificou irregularidades em municípios do Amazonas; fumaça dos incêndios tem afetado a qualidade do ar em Manaus

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou aproximadamente R$ 2 milhões em multas relacionadas a incêndios florestais ilegais na Amazônia. As ações de fiscalização ocorreram nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, na Região Metropolitana de Manaus, no Amazonas, onde o avanço das queimadas tem contribuído para a formação de uma intensa camada de fumaça sobre a capital amazonense.

Durante sete dias de operações, os agentes ambientais emitiram 19 autos de infração e determinaram o embargo de áreas que totalizam aproximadamente 250 hectares. As medidas fazem parte dos esforços para identificar os responsáveis pelos incêndios, impedir novas ocorrências e responsabilizar aqueles que provocam danos ambientais.

Segundo o presidente do Ibama, Jair Schmitt, as equipes estão percorrendo áreas atingidas pelo fogo para identificar os responsáveis pelas queimadas. Ele afirmou que os incêndios investigados ocorreram sem autorização dos órgãos competentes e que, em determinadas situações, as chamas ultrapassaram cercas, atingindo propriedades vizinhas e áreas públicas.

As operações devem continuar nos próximos dias, em uma ação coordenada entre órgãos federais e estaduais para intensificar a fiscalização e combater novos focos de incêndio.

Amazonas registra aumento de 111% nos focos de incêndio

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Amazonas registrou 8.177 focos de incêndio entre 1º de janeiro e 18 de outubro de 2026. O número representa um aumento de 111% em comparação com o mesmo período de 2025.

Apesar da elevação em relação ao ano anterior, o total permanece 49% abaixo da média histórica do estado, segundo os dados apresentados na reportagem.

Considerando todo o bioma amazônico, foram contabilizados 40.633 focos de incêndio no mesmo período de 2026. O número representa um crescimento de 62% em relação ao intervalo correspondente de 2025, mas permanece 47% abaixo da média histórica.

Os dados demonstram uma intensificação das queimadas em comparação com o ano passado, situação que preocupa autoridades ambientais devido aos impactos sobre a floresta, a biodiversidade e a saúde da população.

Investigações apuram possíveis incêndios criminosos

As autoridades consideram que grande parte dos incêndios florestais na região tem origem em atividades humanas, incluindo ações intencionais. As investigações procuram esclarecer as circunstâncias das ocorrências e identificar possíveis responsáveis.

A Polícia Federal também participa das apurações sobre os incêndios. Entre as linhas investigativas está a possibilidade de que algumas queimadas tenham sido motivadas por interesses políticos, hipótese que ainda depende de esclarecimento pelas autoridades.

O Ministério Público Federal solicitou a criação de uma sala de situação integrada em Manaus, a formação de uma força-tarefa e a suspensão das autorizações para queimadas. As medidas buscam ampliar a coordenação entre as instituições responsáveis pela fiscalização e pelo combate ao fogo.

No sábado (17), a Polícia Militar do Amazonas prendeu 11 pessoas suspeitas de envolvimento com queimadas no estado. A responsabilidade de cada investigado deverá ser apurada no decorrer dos procedimentos legais.

Fumaça afeta a rotina da população de Manaus

O avanço dos incêndios tem provocado consequências diretas para os moradores de Manaus. A fumaça acumulada sobre a cidade comprometeu a qualidade do ar e levou à suspensão de atividades presenciais em instituições de ensino.

As aulas da rede municipal estavam suspensas desde 9 de outubro, enquanto a rede estadual também adotou interrupções em diferentes períodos. Universidades e outras instituições de ensino superior igualmente suspenderam atividades presenciais diante das condições ambientais.

Os efeitos sobre a saúde também preocupam as autoridades. Dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas indicaram 315 atendimentos por exposição à fumaça até 14 de outubro, número superior à soma dos registros de agosto e setembro. Entre os sintomas relatados estão tosse e dificuldade para respirar.

A fumaça também chegou a dificultar operações aéreas de combate aos incêndios, prejudicando o trabalho das equipes responsáveis por controlar as chamas.

Governo federal reforça combate às queimadas

Diante do agravamento da situação, uma comitiva do governo federal esteve na região para acompanhar as operações e ampliar o apoio às equipes que atuam no combate aos incêndios.

A mobilização envolve órgãos ambientais, forças de segurança, brigadistas e aeronaves. A expectativa anunciada pelas autoridades era de ampliar o contingente para aproximadamente 400 brigadistas e 16 aeronaves, reforçando as ações de combate ao fogo e de fiscalização.

O trabalho também inclui a identificação de áreas atingidas, a investigação das causas dos incêndios e a responsabilização de eventuais infratores.

As autoridades destacam que provocar incêndios florestais ilegalmente pode resultar em multas, embargos de áreas e responsabilização criminal, conforme a infração identificada.

A aplicação das multas pelo Ibama representa mais uma etapa das medidas adotadas para conter as queimadas na Amazônia, em meio à preocupação com os danos ambientais e os impactos da fumaça sobre a população do Amazonas.

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -spot_img

Mais populares

Comentários recentes