
Aumento dos focos de calor levou autoridades a emitir alertas e suspender atividades presenciais em escolas e universidades.
O número de focos de calor no Amazonas quase quadruplicou em setembro de 2026, intensificando a preocupação com os incêndios florestais e a qualidade do ar em Manaus. A fumaça das queimadas encobriu a capital amazonense, levando autoridades a recomendar medidas de proteção à população.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estado registrou 3.726 focos de calor em setembro deste ano, contra 942 no mesmo mês de 2025. Em outubro, até o dia 10, já haviam sido contabilizados outros 832 focos.
Qualidade do ar chega a níveis preocupantes
Na sexta-feira (9), a Defesa Civil emitiu um alerta para os moradores de Manaus após a concentração de partículas finas na atmosfera atingir uma média de 196,4 microgramas por metro cúbico. O órgão recomendou o uso de máscaras ao sair de casa e orientou a população a evitar a exposição à fumaça.
Diante da piora das condições ambientais, a Prefeitura de Manaus suspendeu as atividades da rede municipal de ensino, além do funcionamento de centros de atendimento especializados, Centros Municipais de Arte-Educação e do Parque Cidade da Criança.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também suspenderam as atividades presenciais como medida preventiva para proteger estudantes, professores e demais integrantes da comunidade acadêmica.
Na tarde de sábado (10), a plataforma internacional IQAir registrava concentração média de 80,3 microgramas por metro cúbico de partículas finas em Manaus. Apesar da redução em relação ao dia anterior, a qualidade do ar continuava preocupante em áreas da capital.
Estiagem contribui para o avanço do fogo
A falta de chuvas durante agosto agravou a estiagem e contribuiu para o aumento da poluição atmosférica, além de dificultar o combate aos incêndios.
De acordo com informações do Inpe, o uso do fogo para limpeza e renovação de pastagens, somado à vegetação ressecada, favorece a propagação das chamas para áreas de floresta.
Em junho, o governo do Amazonas decretou estado de emergência climática e ambiental por 180 dias, considerando as projeções relacionadas ao fenômeno El Niño. Já em setembro, o uso do fogo foi proibido em todo o território estadual por um período de 120 dias.
Governo federal e combate aos incêndios
A situação também levantou questionamentos sobre o apoio às equipes que atuam no combate às queimadas. Na sexta-feira (9), o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, afirmou, em entrevista à Rede Amazônica, que o estado ainda não havia recebido apoio federal para enfrentar os incêndios florestais.
O avanço dos focos de calor e os impactos da fumaça reforçam a preocupação com a saúde pública e a preservação ambiental na região amazônica.



