
O Dia das Crianças de 2026 deve movimentar R$ 18,11 bilhões no comércio brasileiro e levar 74% dos consumidores das capitais às compras. A estimativa representa crescimento de R$ 1,4 bilhão em relação ao registrado em 2025 e reforça a data como uma das principais do calendário do varejo. Os dados são de pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.
O levantamento mostra que 36% dos entrevistados pretendem gastar mais do que no ano passado, enquanto 34% planejam manter aproximadamente o mesmo valor. Entre aqueles que ampliarão os gastos, 40% apontam a intenção de comprar mais presentes, 37% querem adquirir produtos melhores e 36% atribuem o aumento à alta dos preços.
O gasto médio previsto é de R$ 308 com todos os presentes, enquanto cada comprador deverá adquirir, em média, 2,3 itens.
Motivações e preferências de compra
A principal motivação é afetiva. Para 32%, presentear é uma maneira de ver a criança feliz. Outros 22% citam o hábito de dar presentes às pessoas de quem gostam e 18% consideram importante realizar o gesto.
Filhos lideram a lista dos presenteados, mencionados por 47% dos consumidores, seguidos por sobrinhos (37%), netos (18%) e afilhados (14%).
Roupas e brinquedos lideram
Roupas e calçados aparecem na liderança das intenções de compra, com 37%, praticamente empatados com bonecas e bonecos, escolhidos por 35%. Jogos educativos e de tabuleiro aparecem com 26%, enquanto carrinhos, aviões e bolas somam 21%.

A movimentação do comércio começa antes de 12 de outubro. Segundo a pesquisa, 41% pretendem comprar na primeira semana do mês e 33% anteciparam as compras para setembro.
A celebração deverá ocorrer principalmente em casa para 45% dos entrevistados. Outros 12% pretendem comemorar na residência de parentes e 9% indicaram os shoppings como local da programação.
“O Dia das Crianças se consolidou como um dos períodos mais estratégicos para o comércio varejista, funcionando não apenas como uma data de forte apelo emocional, mas como um verdadeiro termômetro para o final do ano”, afirma o presidente da CNDL, José César da Costa.
Segundo ele, o comportamento observado neste período ajuda a antecipar tendências de consumo para o Natal.
Formas de pagamento e canais de compra
O pagamento à vista será adotado por 80% dos consumidores. O Pix lidera com 58%, seguido pelo cartão de débito, com 24%, e pelo dinheiro, com 18%.
Entre os 41% que pretendem parcelar pelo menos alguma compra, principalmente no cartão de crédito, três prestações são a opção mais citada. A confiança no pagamento é elevada: 96% acreditam que conseguirão quitar todas as parcelas sem atraso.
A maior parte, 69%, pagará os presentes sozinha. Outros 23% dividirão as despesas, sobretudo com o cônjuge (49%) ou com o pai ou a mãe da criança (22%).
As lojas físicas ainda concentram a preferência de 70% dos consumidores, mas metade dos compradores também pretende utilizar o comércio eletrônico. Entre aqueles que comprarão pela internet, 74% apontam os aplicativos como canal preferido e 72% citam sites de varejistas internacionais.
As redes sociais também ganharam espaço. Segundo o estudo, 39% dos consumidores já fizeram compras por meio de links encontrados no Instagram, WhatsApp ou TikTok.
Pesquisa de preços e influência infantil
A preocupação em economizar deverá marcar as compras deste ano. Antes de fechar negócio, 73% pretendem comparar preços. Entre eles, 38% começam essa pesquisa duas semanas antes da data e 32% com um mês de antecedência.
A internet é utilizada por 84% dos consumidores que pesquisam valores. Marketplaces de produtos novos e usados são consultados por 59%, enquanto buscadores como o Google aparecem com 58%.
Nas lojas físicas, procuradas por 61% dos pesquisadores, lojas de rua e shoppings aparecem empatados, ambos com 36%.
A comparação ganhou importância porque 61% consideram que os presentes estão mais caros do que em 2025. Descontos e frete grátis são apontados por 37% como estratégias para fazer o orçamento render.
Na escolha do produto, a qualidade é o principal fator para 29%, seguida pelo desejo da criança, com 15%. Preço e promoções aparecem empatados, com 14%.
Crianças influenciam decisão
Os adultos ainda controlam a maior parte das decisões: 49% escolhem os presentes sozinhos e 36% decidem em conjunto com a criança. A influência infantil, porém, alcança 35% dos compradores, e 23% admitem acabar levando o produto desejado pelos pequenos.
Comportamento e desempenho escolar também entram na negociação em 53% das famílias. Esses critérios podem determinar o valor do presente, funcionar como estímulo para cumprimento de regras ou levar os pais a substituir produtos de lazer por itens considerados mais úteis.
Alerta financeiro e inadimplência
O forte apelo emocional da data também traz um alerta financeiro. Entre os consumidores que pretendem comprar, 35% estão inadimplentes e, desse grupo, 79% possuem o nome negativado nos órgãos de proteção ao crédito.
Apesar disso, 69% afirmam manter controle sobre as despesas. Para conseguir comprar os presentes, 25% pretendem adiar gastos pessoais e 22% reduzir despesas consideradas supérfluas.
Por outro lado, 22% reconhecem que podem gastar acima das próprias condições financeiras. Entre os motivos, 31% dizem fazer questão de agradar a criança mesmo que isso resulte em dívidas e 24% associam o valor do presente a uma demonstração de amor.
Mesmo diante das dificuldades, 83% afirmam que não pretendem deixar contas básicas sem pagamento para bancar as compras.
“O apelo afetivo de presentear quem amamos é legítimo e compreensível, mas ele jamais deve comprometer a saúde financeira da família”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
Ele recomenda manter as despesas dentro do orçamento e evitar compras estimuladas apenas pela publicidade nas redes sociais, reduzindo o risco de transformar a comemoração em endividamento nos meses seguintes.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi realizada pela internet entre 31 de agosto e 8 de setembro de 2026, com consumidores maiores de 18 anos das 27 capitais brasileiras.
Uma primeira amostra, com 789 pessoas, identificou o percentual de consumidores com intenção de comprar presentes. Na segunda etapa, 600 entrevistados que pretendiam realizar compras responderam ao restante do questionário. As margens de erro são de 3,5 e 4 pontos percentuais, respectivamente.
Fonte: Diário do Pará



