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Wegovy em comprimidos: perda de peso continua após troca? Entenda

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Pacientes com sobrepeso ou obesidade que deixaram medicamentos injetáveis e passaram a utilizar o Wegovy em comprimidos continuaram emagrecendo após a mudança. Dados apresentados nesta quarta-feira (30), durante o congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, mostram redução média adicional de 4,1% do peso corporal em apenas três meses entre os participantes que migraram das canetas para a semaglutida oral de uso diário.

A pesquisa, denominada OCTANE, avaliou dados de pacientes atendidos pela plataforma norte-americana de telessaúde Ro. Os participantes haviam utilizado anteriormente terapias injetáveis à base de GLP-1 para controle do peso, incluindo semaglutida ou tirzepatida, e passaram posteriormente para o Wegovy oral.

Apesar do título utilizado pela publicação original sugerir que os pacientes perderam mais peso com a pílula do que com as canetas, há uma ressalva importante: o estudo não foi um ensaio clínico randomizado comparando diretamente comprimido e injetáveis. Os dados mostram que os pacientes continuaram perdendo peso depois da troca, mas não permitem concluir que a pílula seja, de forma geral, mais eficaz que as canetas.

Pacientes perderam mais 4 kg

Os participantes apresentavam peso médio inicial de aproximadamente 100,5 quilos quando começaram a utilizar a formulação oral. Após três meses, a redução média registrada foi de 4 kg, equivalente a 4,1% do peso corporal. Outro resultado chama atenção: 40,7% dos participantes perderam pelo menos 5% do peso corporal durante esse período.

A proporção de pessoas classificadas como vivendo com obesidade, considerando índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², também diminuiu. O percentual passou de 87,1% no início da análise para 65,5% depois de três meses utilizando a versão oral.

Diferentemente de um ensaio clínico tradicional, o OCTANE utilizou informações da prática cotidiana. A análise foi realizada a partir de dados sem identificação pessoal provenientes da plataforma de telessaúde Ro, em colaboração com a fabricante Novo Nordisk.

Esse desenho permite observar o comportamento do tratamento fora do ambiente altamente controlado de um ensaio clínico, mas também impõe limitações.

Parte das informações depende de relatos dos próprios pacientes e não houve distribuição aleatória dos participantes entre grupos comparativos. Por isso, os pesquisadores não podem estabelecer uma relação causal direta nem afirmar, a partir desse estudo isoladamente, que o comprimido emagrece mais do que os medicamentos injetáveis.

Maioria relatou melhora após mudança

A pesquisa também investigou a experiência dos participantes depois da troca. Entre aqueles com informações disponíveis, 82,4% relataram pelo menos uma melhora relacionada ao tratamento.

Cerca de 69% disseram perceber melhor ajuste das roupas ao corpo, enquanto aproximadamente 51% relataram hábitos alimentares considerados mais saudáveis. Esses resultados são autorrelatados pelos participantes e, portanto, devem ser interpretados dentro das limitações metodológicas da pesquisa. Martin Holst Lange, diretor científico da Novo Nordisk, afirmou que os resultados ajudam a responder às dúvidas sobre adesão ao tratamento oral. Segundo ele, os dados mostram que muitos pacientes conseguem continuar obtendo resultados depois da mudança de modalidade. A declaração, contudo, representa a avaliação da própria fabricante do medicamento.

Outro estudo encontrou perda de até 16,6%

A eficácia da semaglutida oral para tratamento da obesidade já havia sido avaliada em um estudo clínico controlado. O OASIS 4, publicado em setembro de 2025 no New England Journal of Medicine, acompanhou 307 adultos com obesidade ou sobrepeso e pelo menos uma complicação relacionada ao peso, sem diabetes.

Nesse estudo, os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber semaglutida oral de 25 mg ou placebo.

Na análise principal, considerando todos os participantes independentemente da adesão completa ao tratamento, quem recebeu semaglutida oral perdeu em média 13,6% do peso, contra 2,2% no grupo placebo. Quando considerada a adesão ao tratamento conforme planejado, a redução média chegou a 16,6%, segundo dados apresentados pela fabricante.

Metade dos participantes analisados no OASIS 4 conseguiu reduzir pelo menos 15% do peso corporal, enquanto 29,7% alcançaram redução igual ou superior a 20% na análise principal.

Comprimido e injeção tiveram resultados semelhantes em estudos separados

Os dados disponíveis exigem cuidado na comparação entre as duas apresentações. Uma análise indireta dos estudos OASIS 4, com semaglutida oral de 25 mg, e STEP 1, realizado anteriormente com Wegovy injetável de 2,4 mg, apontou eficácia semelhante na redução do peso.

Como os pacientes não foram submetidos às duas apresentações dentro do mesmo ensaio comparativo, porém, esse resultado não equivale a uma demonstração de superioridade da pílula sobre a caneta.

A diferença também é importante para interpretar os novos dados do OCTANE: os 4,1% correspondem ao peso adicional perdido durante os três meses depois que pacientes previamente tratados com injetáveis passaram para o comprimido.

Wegovy oral já chegou a outros países

A versão oral do Wegovy contém 25 mg de semaglutida e é administrada uma vez ao dia. Nos Estados Unidos, o medicamento recebeu autorização da FDA em dezembro de 2025 para controle de peso de longo prazo e redução de determinados riscos cardiovasculares em pacientes elegíveis. Novo Nordisk

O lançamento norte-americano ocorreu no início de 2026. Segundo as informações mais recentes divulgadas pela Novo Nordisk e reproduzidas pela CNN, o comprimido também já chegou ao Reino Unido, Alemanha e Emirados Árabes Unidos, com expansão planejada para outros mercados.

No Brasil, entretanto, o Wegovy em comprimidos ainda não está disponível, segundo informações publicadas nesta semana. Portanto, pacientes brasileiros não devem confundir a nova apresentação com outros comprimidos de semaglutida já comercializados no país.

Wegovy oral não é o mesmo que Rybelsus

A semaglutida já existe em comprimidos por meio do Rybelsus, mas são produtos com indicações e doses diferentes.

O Rybelsus utiliza semaglutida oral e tem indicação para diabetes tipo 2. O Wegovy oral, por sua vez, emprega a dose de 25 mg desenvolvida especificamente para o tratamento do sobrepeso e da obesidade em pacientes que atendem aos critérios clínicos.

Isso significa que um medicamento não deve ser substituído pelo outro por conta própria apenas porque ambos contêm semaglutida.

Efeitos gastrointestinais estão entre os mais comuns

Assim como ocorre com a apresentação injetável, a semaglutida oral pode provocar efeitos adversos. No ensaio OASIS 4, eventos gastrointestinais foram registrados em 74% dos pacientes que receberam semaglutida oral, ante 42,2% no grupo placebo.

Náuseas, vômitos e outros sintomas gastrointestinais estão entre os eventos associados à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.

Por se tratar de medicamento para tratamento de uma doença crônica e com contraindicações e possíveis efeitos adversos, a utilização da semaglutida deve ocorrer com avaliação e acompanhamento médico, e não apenas com finalidade estética ou por automedicação.

O que o novo estudo realmente mostra?

O principal achado do OCTANE é que pacientes que já estavam utilizando medicamentos injetáveis contra obesidade continuaram perdendo peso depois de migrar para a versão oral do Wegovy.

Em três meses, a redução adicional média chegou a 4,1%, enquanto aproximadamente dois em cada cinco participantes perderam pelo menos mais 5% do peso corporal.

Os resultados ampliam as evidências sobre a possibilidade de uma terapia oral para pessoas que preferem evitar injeções. Entretanto, devido ao desenho observacional do estudo, não é possível afirmar que o comprimido seja superior às canetas. Ensaios clínicos comparativos diretos seriam necessários para sustentar essa conclusão.



Fonte: Diário do Pará

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