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“Pior que a peste”: morte de pesquisadora intriga Rússia e EUA

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A morte de uma pesquisadora de um instituto russo especializado no estudo da peste provocou uma onda de preocupação internacional e abriu espaço para uma série de hipóteses sobre o que pode ter acontecido em um laboratório de alta segurança na Sibéria.

Um ex-alto funcionário do governo Donald Trump chegou a alertar que o episódio poderia envolver algo “muito pior” do que a própria peste, mas não há, até o momento, evidências públicas de que uma doença mais perigosa tenha sido liberada.

A pesquisadora, identificada por veículos russos e internacionais como Darya Shipilova, de 28 anos, trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, na região de Irkutsk. Ela morreu em 2 de outubro depois de desenvolver uma pneumonia grave. Segundo as autoridades russas, a causa foi classificada como “pneumonia de etiologia desconhecida”.

O caso ganhou repercussão depois de relatos não confirmados apontarem para um possível acidente no laboratório envolvendo uma amostra de Yersinia pestis, bactéria responsável pela peste. A versão, porém, foi negada pelo Rospotrebnadzor, órgão russo responsável pela vigilância sanitária. Uma comissão enviada ao instituto afirmou não ter encontrado sinais de acidente durante o trabalho com microrganismos patogênicos.

Ex-funcionário de Trump faz alerta

A principal escalada nas suspeitas ocorreu nesta terça-feira (6), quando Marshall Billingslea, que ocupou o cargo de enviado presidencial especial de Donald Trump para controle de armas, afirmou que a morte merece atenção por causa do histórico do laboratório.

Billingslea disse ter trabalhado, nos anos 1990, com Ken Alibek, ex-número dois do programa soviético de armas biológicas que desertou para os Estados Unidos. Segundo ele, Alibek havia relatado a existência de pesquisas soviéticas com cepas de peste resistentes a antibióticos e experiências envolvendo a combinação de diferentes agentes patogênicos.

De acordo com o relato publicado pela Fox News, Alibek teria citado especificamente a região de Irkutsk como parte das atividades soviéticas relacionadas ao programa de armas biológicas. Billingslea escreveu nas redes sociais que o episódio atual “pode não ser apenas a peste” e que a situação poderia ser mais grave.

A alegação, entretanto, não estabelece qualquer ligação entre o antigo programa soviético de armas biológicas e a morte da pesquisadora em 2026. A própria reportagem americana ressalta que essa conexão não foi comprovada.

O que dizem as autoridades russas

O governo russo tem rejeitado a possibilidade de um surto de peste. O Rospotrebnadzor informou que exames realizados na paciente não identificaram microrganismos relacionados à atividade profissional dela e afirmou que não foram encontrados acidentes envolvendo agentes patogênicos no instituto.

As autoridades também monitoraram pessoas que tiveram contato com a pesquisadora. Segundo os dados divulgados pela Rússia, foram identificados dois casos de Covid-19 e dois de rinovírus entre os contatos, mas nenhum outro agente infeccioso considerado perigoso foi encontrado.

O Kremlin também pediu que a população ignore rumores e acompanhe apenas as informações divulgadas pelo Rospotrebnadzor.

Nesta terça-feira, a Rússia informou à Organização Mundial da Saúde que não havia sido identificado nenhum caso de peste entre os contatos da pesquisadora. A OMS afirmou que continua mantendo contato com as autoridades russas para verificar as circunstâncias do episódio e os resultados dos exames.

Estados Unidos acompanham o caso

O governo dos Estados Unidos também passou a monitorar a situação. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington acompanha o episódio “muito de perto” e pediu que a Rússia compartilhe mais informações com a comunidade internacional.

“Talvez não haja nada ali. Talvez seja maior do que pensamos. Não sabemos”,

disse Rubio, segundo a Associated Press.

O secretário afirmou que os dados fornecidos até agora pela Rússia são limitados.

O governo Trump também afirmou estar disposto a ajudar a Rússia caso a situação se mostre mais grave. A Casa Branca e diferentes órgãos americanos, incluindo autoridades de saúde, acompanham os acontecimentos.

Apesar das preocupações, especialistas ouvidos pela imprensa americana não consideram que exista, neste momento, evidência de uma nova pandemia.

Peste resistente seria realmente mais perigosa?

A peste pneumônica é uma forma grave da doença causada pela bactéria Yersinia pestis. Diferentemente da peste bubônica, que normalmente é transmitida pela picada de pulgas infectadas, a forma pneumônica pode passar de uma pessoa para outra por partículas respiratórias.

A doença pode ser fatal sem tratamento rápido, mas existem antibióticos eficazes contra a peste quando administrados precocemente. Especialistas ressaltam ainda que a transmissão entre pessoas é relativamente difícil e normalmente exige contato próximo.

O cenário seria diferente se estivesse envolvida uma cepa resistente a múltiplos antibióticos. Especialistas ouvidos pelo Guardian afirmaram que cepas multirresistentes estão surgindo e que, caso um laboratório estivesse trabalhando com uma delas, as opções de tratamento poderiam ser mais limitadas.

É justamente esse cenário que alimenta parte das especulações em torno do caso russo. Mas, até agora, não foi identificada publicamente uma cepa resistente, muito menos uma transmissão desse tipo na população.

OMS diz que risco internacional é muito baixo

Apesar da repercussão, a Organização Mundial da Saúde não considera que o episódio represente, neste momento, uma ameaça semelhante à pandemia de Covid-19.

Segundo a OMS, o risco para a população fora da Rússia é “muito baixo”. A organização também afirmou que não existe indicação de que o caso esteja relacionado a algo semelhante à pandemia de coronavírus.

Especialistas ouvidos pelo The Atlantic também consideraram improvável que um eventual caso isolado de peste pneumônica evoluísse para uma crise sanitária mundial. A doença apresenta período de incubação curto e sua transmissão entre pessoas é bem menos eficiente que a de vírus respiratórios como influenza ou coronavírus.

Fonte: Diário do Pará

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