
Uma formação na região de Marius Hills, na Lua, tem chamado a atenção dos cientistas e pode se transformar em um dos alvos mais interessantes da próxima fase da exploração lunar. A NASA selecionou uma investigação específica para estudar o local e tentar descobrir se uma depressão na superfície conduz a um grande sistema subterrâneo de túneis de lava.
O alvo é o Marius Hills Pit, uma abertura localizada em uma antiga região vulcânica do nosso satélite natural. A estrutura foi fotografada pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) e tem aproximadamente 34 metros de profundidade e entre 65 e 90 metros de largura. A grande pergunta é o que existe abaixo dela?
NASA vai procurar um túnel subterrâneo
Em setembro de 2026, a NASA anunciou três novas investigações científicas que deverão contribuir para os planos de estabelecer uma presença humana mais duradoura na Lua. Uma delas é o GIMLI (Geophysical Instruments for Marius Lunar pit Investigation), que será levado à superfície lunar para investigar especificamente o Marius Hills Pit.
O objetivo é utilizar instrumentos geofísicos para tentar enxergar o que existe abaixo da superfície. Os cientistas querem descobrir se o buraco é uma espécie de entrada para um túnel de lava subterrâneo.
Caso exista uma estrutura desse tipo, ela poderia representar muito mais do que uma curiosidade geológica.
Uma caverna poderia proteger astronautas
A Lua possui condições extremamente hostis para seres humanos. Na superfície, as temperaturas podem chegar a aproximadamente 127 °C durante o dia lunar e cair para cerca de -173 °C durante a noite. Já regiões permanentemente protegidas da luz solar dentro de determinadas cavidades podem apresentar temperaturas muito mais estáveis.
Pesquisas financiadas pela NASA indicaram que algumas áreas dentro de poços lunares podem permanecer em torno de 17 °C, uma temperatura considerada relativamente confortável para futuras operações humanas.
Além da temperatura, uma estrutura subterrânea poderia oferecer proteção contra radiação cósmica, radiação solar e micrometeoritos, três dos principais desafios para uma eventual permanência prolongada de astronautas na Lua.
Por isso, os cientistas consideram que tubos de lava poderiam, no futuro, servir como abrigo natural para bases lunares.
Já existem evidências de cavernas
A possibilidade não surgiu apenas por causa do Marius Hills Pit.
Em 2024, pesquisadores reanalisaram dados de radar coletados pela LRO e encontraram evidências de uma caverna localizada sob outro poço lunar, na região do Mare Tranquillitatis, próximo do local onde ocorreu o primeiro pouso humano na Lua.
Segundo a NASA, os dados indicaram que a cavidade se estende por pelo menos 61 metros a partir da base do poço. A extensão total ainda é desconhecida e poderia alcançar uma distância muito maior sob a superfície lunar.
Essas estruturas provavelmente estão relacionadas aos antigos fluxos de lava que ocorreram quando a Lua apresentava atividade vulcânica muito maior.
Quando a parte superior de um túnel de lava desaba, pode surgir uma abertura na superfície, uma espécie de claraboia natural. É justamente essa possibilidade que os cientistas querem investigar em Marius Hills.
Por que Marius Hills é tão importante?
O Marius Hills é uma região vulcânica antiga da Lua que possui diversas características associadas à atividade de lava.
A NASA já havia identificado o Marius Hills Pit em imagens da Lunar Reconnaissance Orbiter. Em uma publicação do seu Photojournal, a agência classificou a formação como uma possível “claraboia” de um tubo de lava.
Até agora, porém, isso continua sendo uma possibilidade. A existência de um grande túnel acessível diretamente pelo poço ainda precisa ser confirmada. É exatamente essa lacuna que a missão GIMLI pretende preencher.
Lua pode ter uma rede de túneis
Os cientistas acreditam que a Lua pode abrigar uma quantidade significativa de estruturas subterrâneas formadas durante seu passado vulcânico.
Tubos de lava são conhecidos na Terra. Eles surgem quando a parte externa de um fluxo de lava esfria e endurece enquanto o material continua fluindo por baixo. Quando a atividade vulcânica termina, pode restar um túnel vazio.
Na Lua, estruturas semelhantes podem ter permanecido preservadas por bilhões de anos, já que o ambiente lunar praticamente não sofre processos de erosão como os encontrados na Terra. A NASA considera que esses ambientes podem ser importantes tanto para pesquisas geológicas quanto para futuras missões tripuladas.
Preparação para futuras bases lunares
A investigação ocorre justamente quando a NASA acelera seus planos para ampliar a presença humana na Lua.
Em setembro, a agência anunciou novas pesquisas destinadas a apoiar o desenvolvimento da chamada Moon Base, incluindo estudos sobre o ambiente lunar, micrometeoritos, materiais voláteis e atividade sísmica. O GIMLI faz parte desse conjunto de iniciativas.
A NASA também vem testando na Terra métodos para localizar cavernas e túneis subterrâneos que poderiam ser utilizados por futuros exploradores. Em 2025, pesquisadores testaram técnicas sísmicas capazes de identificar espaços vazios sob o solo, pensando justamente em futuras aplicações na Lua e em Marte.
Assim, o Marius Hills Pit pode representar uma espécie de laboratório natural para responder a uma pergunta fundamental da exploração espacial: será que os futuros astronautas poderão viver não sobre a Lua, mas dentro dela?
Por enquanto, ainda não se sabe se o poço leva a uma grande caverna. A nova investigação da NASA poderá ser o passo decisivo para descobrir o que existe escondido sob a superfície lunar.
Fonte: Diário do Pará



