
Um novo leilão das Casas Bahia abriu oportunidades para consumidores interessados em comprar eletrônicos por valores iniciais abaixo dos encontrados normalmente no varejo. A rodada reúne TVs, caixas de som, ventiladores e torres de som, mas exige atenção: os produtos podem apresentar defeitos, avarias ou peças faltando e são comercializados sem garantia de funcionamento.
Entre os destaques estão lotes com três caixas de som, cujo lance parte de R$ 607. Outro lote reúne quatro televisores TCL de 32 polegadas, com oferta inicial de R$ 1.138. Os valores, entretanto, não representam necessariamente o preço final da compra, já que podem aumentar à medida que novos participantes entram na disputa.
A rodada possui diferentes datas para encerramento. Parte dos produtos, com retirada prevista em Jundiaí, no interior de São Paulo, recebe ofertas até as 10h de sexta-feira (2). Outros lotes permanecem disponíveis até sábado (3).
Produtos podem apresentar defeitos
Um dos principais cuidados para quem pretende participar é verificar detalhadamente o estado de conservação dos equipamentos. Parte dos lotes é formada por produtos provenientes de logística reversa, ou seja, mercadorias que retornaram ao varejo depois da venda original.
Essas devoluções podem ocorrer por diferentes razões, como desistência do consumidor, erro no pedido ou problemas apresentados pelo equipamento. Dessa forma, alguns produtos podem estar usados, danificados ou sem determinadas peças e acessórios.
As regras deixam claro que não existe garantia de funcionamento. Dependendo do lote, também podem faltar componentes mecânicos, acessórios ou outros itens necessários para utilização do aparelho.
Há ainda a possibilidade de determinados equipamentos apresentarem bloqueios por senhas, códigos ou cadastros. Vendedor, leiloeiro e plataformas não assumem responsabilidade pela liberação desses mecanismos.
Por isso, antes de apresentar qualquer oferta, o interessado deve consultar a descrição individual do lote e conferir exatamente as condições em que o produto está sendo vendido.
Como participar
A disputa ocorre pela internet. Dependendo do lote escolhido, o consumidor precisa se cadastrar nas plataformas Kwara ou Nosso Leilão e apresentar os dados e documentos exigidos para habilitação.
Após a aprovação do cadastro, o participante pode acessar os lotes e fazer ofertas. Os lances podem ser apresentados manualmente ou, quando disponível, por meio de ferramentas que permitem programar ofertas automáticas até determinado limite.
Caso outro participante ofereça um valor superior, o interessado poderá decidir se deseja cobrir a proposta. É justamente essa disputa que pode elevar consideravelmente o preço inicialmente anunciado.
Taxas aumentam preço final
Outro ponto importante está nos custos adicionais. O valor exibido durante o leilão não corresponde necessariamente ao total que sairá do bolso do comprador.
De acordo com as condições informadas para os eventos, pode incidir comissão de 5% destinada ao leiloeiro, além de 15% referentes a despesas administrativas. Somadas, essas cobranças acrescentam 20% ao valor da arrematação.
Na prática, um produto arrematado por R$ 1 mil poderá alcançar R$ 1,2 mil somente com essas duas cobranças. A conta ainda pode aumentar porque não considera eventuais despesas com impostos, transporte e retirada da mercadoria.
O participante deve, portanto, calcular previamente quanto estará disposto a desembolsar e comparar o custo total do produto com o preço cobrado no comércio convencional.
Maior oferta pode depender de aprovação
Outra particularidade é que determinados lances são condicionais. Isso significa que apresentar a maior oferta não garante automaticamente que o participante ficará com o produto.
Em algumas situações, a empresa vendedora pode analisar o valor oferecido antes de confirmar a negociação. O prazo para essa avaliação pode chegar a cinco dias úteis após o encerramento do leilão.
Somente depois da aprovação é que a arrematação é efetivamente confirmada, conforme as condições previstas para cada lote.
Empresa está em recuperação judicial
A nova rodada ocorre enquanto o Grupo Casas Bahia passa por recuperação judicial. O pedido foi protocolado em 16 de agosto de 2026, após a companhia enfrentar dificuldades financeiras.
Antes disso, em 2024, a varejista havia adotado um processo de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. Em 2026, o grupo também anunciou medidas destinadas à redução de custos, incluindo fechamento de lojas e diminuição de investimentos.
A recuperação judicial permite que uma companhia em dificuldades financeiras negocie suas obrigações com credores enquanto mantém as atividades. A empresa precisa apresentar um plano que será submetido aos credores e à Justiça.
As Casas Bahia, porém, afirmam que os leilões não estão relacionados ao processo de recuperação judicial. Segundo a companhia, essas vendas são realizadas regularmente e envolvem produtos vinculados ao Departamento de Assistência Técnica (DAT).
A varejista informou ainda que as operações continuam normalmente nas lojas físicas e no comércio eletrônico.
Atenção para evitar golpes
O aumento da procura pelos leilões também exige cuidados contra páginas falsas. Thiago da Mota, CEO da Kwara, afirmou que houve crescimento nas buscas relacionadas aos leilões das Casas Bahia após a divulgação da recuperação judicial da companhia.
A recomendação é verificar se a disputa está sendo realizada nos canais oficiais das plataformas responsáveis, consultar o edital e evitar pagamentos solicitados por terceiros ou fora dos procedimentos previstos.
Antes de confirmar qualquer lance, o consumidor deve conferir as condições do produto, possíveis avarias, existência de peças e acessórios, taxas incidentes, custos de transporte e retirada, além de verificar se a oferta está sujeita à aprovação posterior do vendedor.
Fonte: Diário do Pará



