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Fim da escala 6×1 divide opiniões entre trabalhadores e empresários no Pará

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Enquanto representantes dos trabalhadores destacam os benefícios para a qualidade de vida, setores econômicos apontam possíveis aumentos de custos e necessidade de novas contratações.

A aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), abriu caminho para mudanças na jornada de trabalho no Brasil e provocou reações distintas entre trabalhadores e representantes de setores econômicos no Pará.

A proposta prevê a adoção de dois dias de descanso para cada cinco dias trabalhados, além da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. A mudança, no entanto, ainda depende das etapas legais para entrar em vigor. <Cite refs={[“turn856990search0″,”turn856990search2”]}/>

Trabalhadores destacam benefícios

Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Pará (CTB-PA), Jonh Carvalho, a aprovação representa um avanço na garantia de melhores condições de trabalho.

Segundo ele, a mudança poderá proporcionar mais tempo para o convívio familiar, lazer e descanso, além de contribuir para a redução do desgaste físico e mental dos trabalhadores.

No Pará, setores como comércio, supermercados, serviços e vigilância estão entre os que poderão precisar reorganizar suas escalas para se adequar às novas regras.

Empresários apontam desafios

Representantes de diferentes segmentos econômicos demonstram preocupação com os efeitos da mudança sobre os custos operacionais e a manutenção dos serviços.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) avalia que a redução da jornada poderá exigir a contratação de mais funcionários e a reorganização das equipes. A entidade defende um período de transição e diálogo entre empresas, trabalhadores e poder público.

Já o Sindicato do Comércio Varejista e dos Lojistas de Belém (Sindilojas Belém) informou que acompanha os desdobramentos da medida. Até a implementação das novas regras, continuam valendo as disposições da legislação trabalhista e da convenção coletiva vigente.

Indústria teme aumento de custos

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) defende uma avaliação dos possíveis impactos da mudança sobre a produtividade, os preços, a competitividade e a geração de empregos.

A entidade cita estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo as quais a redução da jornada para 40 horas semanais, com manutenção dos salários, poderia elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões no país.

Hotéis, bares e restaurantes também podem ser afetados

Os setores de hospedagem e alimentação estão entre os que poderão enfrentar dificuldades de adaptação, por funcionarem durante longos períodos e, em muitos casos, todos os dias da semana.

O assessor jurídico do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Pará (SHRBS-PA), Fernando Soares, avalia que estabelecimentos poderão precisar ampliar suas equipes para manter o atendimento.

Segundo ele, a necessidade de novas contratações poderá representar um desafio principalmente para empresas menores, que precisarão conciliar as novas jornadas com os custos de funcionamento.

Mudanças ainda dependem de implementação

Apesar da aprovação no Senado, a alteração não entra em vigor automaticamente. A proposta ainda precisa cumprir as etapas legais previstas para sua implementação.

O debate envolve, de um lado, a expectativa de mais descanso e qualidade de vida para os trabalhadores e, de outro, a preocupação de setores empresariais com os custos e a continuidade dos serviços.

A forma como a mudança será aplicada deverá definir os impactos sobre o mercado de trabalho e a economia brasileira.

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