
Influenciador voltou ao YouTube após meses afastado e compartilhou experiências pessoais sobre as dificuldades de convivência social e os impactos das agressões sofridas na escola
O influenciador digital Felca, conhecido como Felipe Bressanim Pereira, voltou a publicar vídeos no YouTube nesta terça-feira (20) com um relato pessoal sobre fobia social, bullying e os desafios enfrentados ao longo da vida. Na gravação, com mais de uma hora de duração, ele revelou ter Transtorno de Ansiedade Social (TAS) e compartilhou experiências que, segundo ele, contribuíram para as dificuldades de interação com outras pessoas.
Intitulado “Fobia Social”, o vídeo marca o retorno do criador de conteúdo à plataforma após meses sem novas publicações. A última produção de grande repercussão havia sido “Adultização”, divulgada em agosto de 2025, quando Felca chamou a atenção para a exposição de crianças e adolescentes na internet e ampliou o debate sobre a proteção de menores nas redes sociais.
Desta vez, o influenciador decidiu falar sobre a própria trajetória, relembrando situações vividas durante a infância e a adolescência e explicando como essas experiências continuam repercutindo em sua vida adulta.
Felca relata bullying e agressões sofridas na escola
Durante o depoimento, Felca contou que começou a sofrer bullying por volta dos 12 anos. Segundo ele, o que inicialmente eram xingamentos e humilhações evoluiu para agressões físicas praticadas por colegas no ambiente escolar.
O influenciador relembrou um episódio em que foi agredido por cinco estudantes em um banheiro da escola. As experiências relatadas foram acompanhadas por lembranças de exclusão e desprezo, que, segundo ele, afetaram sua autoestima e a maneira como passou a se relacionar com outras pessoas.
Felca afirmou que o período entre os 14 e os 18 anos foi especialmente difícil. As situações vividas fizeram com que a escola se tornasse um ambiente associado ao medo, prejudicando sua disposição para participar de atividades sociais e planejar o futuro.
O youtuber também relacionou essas experiências à decisão de não ingressar na faculdade. De acordo com o relato, a possibilidade de voltar a frequentar uma sala de aula provocava desconforto, e ele decidiu conversar com os pais sobre a intenção de trabalhar com a produção de vídeos para a internet.
Ao relembrar essa fase, Felca destacou que as consequências do bullying não desapareceram simplesmente com o passar dos anos. Mesmo depois de conquistar reconhecimento público, ele continuou enfrentando dificuldades para realizar atividades que exigiam contato direto com outras pessoas.
Reconhecimento na internet não impediu dificuldades sociais
Apesar da popularidade conquistada nas redes sociais, Felca contou que continuou sentindo ansiedade em situações cotidianas. Segundo ele, atividades simples, como sair de casa, ir a um shopping ou conversar com desconhecidos, podiam provocar desconforto intenso.
O influenciador também relatou dificuldades antes de compromissos profissionais importantes, incluindo entrevistas e participações em programas de televisão. Em uma dessas situações, ele afirmou ter passado dois dias sem dormir antes de participar do programa “Roda Viva”.
O relato evidencia a diferença entre a imagem pública do criador de conteúdo e as dificuldades que ele enfrenta fora das câmeras. Embora esteja acostumado a produzir vídeos e falar com milhões de seguidores pela internet, Felca explicou que a interação presencial representa um desafio diferente.
Em determinados momentos, segundo ele, a ansiedade provoca reações físicas e dificulta a comunicação. A situação pode se tornar ainda mais complicada quando precisa lidar com ambientes movimentados ou conversar com pessoas desconhecidas.
O influenciador também afirmou que passou longos períodos mais isolado, especialmente depois da repercussão do vídeo sobre adultização. A experiência o levou a refletir sobre a maneira como vinha conduzindo a própria vida e sobre a necessidade de enfrentar as dificuldades que limitavam sua rotina.
Influenciador relata dificuldades relacionadas ao consumo de álcool
Outro ponto abordado no vídeo foi o uso de bebidas alcoólicas para tentar lidar com a ansiedade em situações sociais. Felca contou que passou a recorrer ao álcool antes de compromissos profissionais, gravações e encontros que exigiam interação presencial.
Segundo o influenciador, a bebida acabou se tornando uma forma de tentar suportar o desconforto provocado por essas situações. Ele relatou que chegou a levar bebidas consigo durante compromissos fora de casa, associando esse comportamento às dificuldades para enfrentar a exposição pública.
Felca também contou que sofreu um acidente doméstico após consumir álcool. De acordo com seu depoimento, ele desmaiou ao chegar em casa e sofreu fraturas em duas costelas.
A experiência contribuiu para que percebesse a necessidade de mudar sua relação com as situações sociais e buscar outras formas de lidar com a ansiedade. No vídeo, ele compartilhou essas dificuldades como parte de um processo de reflexão sobre os efeitos do transtorno em diferentes áreas de sua vida.
O relato também chama a atenção para a importância de buscar acompanhamento profissional diante de dificuldades emocionais persistentes, especialmente quando elas começam a interferir na rotina, nos relacionamentos e nas atividades profissionais.
Felca anuncia desafio pessoal de 90 dias
Como parte dessa nova fase, o influenciador anunciou um desafio pessoal de 90 dias para enfrentar situações que normalmente evitaria por causa da ansiedade social. A proposta consiste em aceitar convites e participar gradualmente de atividades que envolvam interação com outras pessoas.
A iniciativa, apresentada como um projeto pessoal, também prevê o compartilhamento das experiências nas redes sociais. A intenção é registrar os avanços e as dificuldades encontrados durante o período, mostrando como pretende modificar hábitos que contribuíram para seu isolamento.
O desafio também busca incentivar outras pessoas a refletirem sobre as próprias dificuldades de convivência. No entanto, o prazo de três meses corresponde à iniciativa individual de Felca e não representa um período padrão para a recuperação de pessoas com transtorno de ansiedade social.
O influenciador pretende retomar ainda o programa de entrevistas “Sofá do Felca”, no qual conversa com convidados. A volta do formato faz parte dos planos apresentados durante o vídeo, embora a retomada das atividades dependa do desenvolvimento dessa nova etapa.
Influenciador pretende realizar palestras contra o bullying
Além do desafio, Felca anunciou a intenção de realizar palestras gratuitas em escolas públicas e privadas para conversar com estudantes sobre o bullying e suas consequências.
A proposta é utilizar as próprias experiências para chamar a atenção de alunos e educadores para os impactos das agressões físicas, das humilhações e da exclusão no ambiente escolar.
O influenciador também destacou a importância de os pais acolherem os filhos que enfrentam situações semelhantes. O objetivo é incentivar o diálogo e mostrar que episódios de violência entre estudantes podem produzir consequências que ultrapassam o período escolar.
As palestras foram apresentadas como um projeto futuro, sem um calendário completo de realização divulgado até o momento.
A iniciativa representa uma mudança na abordagem do criador de conteúdo, que passou a utilizar a própria história para discutir um tema que afeta estudantes e famílias. O relato também reforça a necessidade de que situações de bullying sejam levadas a sério e recebam atenção de responsáveis e profissionais da educação.

O que é fobia social?
A fobia social, também conhecida como Transtorno de Ansiedade Social, é uma condição caracterizada pelo medo intenso de situações em que a pessoa acredita que poderá ser observada, avaliada ou julgada por outras pessoas.
O transtorno vai além da timidez e pode provocar sofrimento significativo em atividades comuns, como conversar com desconhecidos, participar de reuniões, falar em público ou frequentar ambientes movimentados.
Entre as manifestações possíveis estão o aumento dos batimentos cardíacos, a transpiração, os tremores, a dificuldade para falar e a preocupação excessiva com a possibilidade de cometer erros ou passar por constrangimento.
Em alguns casos, a pessoa começa a evitar determinadas situações, o que pode prejudicar os estudos, o trabalho e os relacionamentos. Outras conseguem participar dessas atividades, mas enfrentam níveis elevados de ansiedade antes e durante as interações.
O diagnóstico deve ser realizado por um profissional de saúde, considerando os sintomas, sua duração e os impactos na vida cotidiana. O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou uma combinação de abordagens, conforme as necessidades de cada pessoa.
A terapia cognitivo-comportamental é uma das modalidades utilizadas no acompanhamento do transtorno e pode incluir estratégias para lidar com pensamentos associados ao medo de situações sociais.
Relato amplia debate sobre os efeitos do bullying
Ao compartilhar experiências pessoais, Felca trouxe novamente para o debate público as consequências do bullying e a importância da saúde mental. O depoimento mostra que os efeitos das agressões sofridas na infância e na adolescência podem continuar presentes na vida adulta e interferir em diferentes aspectos da rotina.
O retorno ao YouTube também representa uma mudança no conteúdo apresentado pelo influenciador. Depois de ganhar repercussão nacional com uma produção investigativa sobre a exposição de menores na internet, ele decidiu abordar questões pessoais e dividir com o público dificuldades que, até então, não ocupavam o centro de suas publicações.
Com o desafio de 90 dias e a intenção de realizar palestras em escolas, Felca afirma que pretende enfrentar situações que antes evitava e transformar a própria experiência em uma oportunidade para discutir o bullying e a ansiedade social.
A iniciativa é individual, mas o tema levantado pelo influenciador alcança uma questão mais ampla: a necessidade de reconhecer os efeitos da violência escolar, oferecer acolhimento às vítimas e garantir que pessoas que enfrentam dificuldades emocionais tenham acesso a apoio adequado.



