
Uma homenagem feita pelo então prefeito de Ananindeua e atual candidato ao Governo do Pará, Daniel Santos, voltou a repercutir na região metropolitana de Belém. Em dezembro de 2023, o gestor inaugurou uma praça no bairro do Aurá que recebeu o nome do ex-vereador Deivite Wener Araújo Galvão, conhecido como Gordo do Aurá, cuja trajetória política foi marcada por denúncias, prisões e suspeitas de envolvimento com o crime organizado.
A entrega ocorreu na noite de 11 de dezembro de 2023 e foi anunciada pela Prefeitura de Ananindeua como a inauguração do 45º espaço de lazer e recreação do município. A cerimônia reuniu moradores e foi marcada por comemorações. A praça oferece campo de futebol, quadra poliesportiva coberta, área de alimentação, academia ao ar livre e playground, além de iluminação em LED.

Apesar da estrutura de lazer entregue à comunidade, a escolha do nome do espaço reacendeu o debate sobre a homenagem a uma figura pública cuja trajetória também foi marcada por investigações policiais. Deivite Galvão foi alvo de denúncias de ligação com facções criminosas, acusações que ele negou enquanto estava vivo.
Quem foi Gordo do Aurá
Conhecido pela atuação junto aos moradores do bairro do Aurá, Deivite Galvão construiu sua trajetória política com ações assistenciais, distribuição de cestas básicas e realização de eventos populares. Foi eleito vereador de Ananindeua em 2012, pelo então DEM, e conquistou a reeleição em 2016.
Entretanto, sua trajetória também foi marcada por episódios policiais. Segundo informações divulgadas à época, ele foi apontado como suspeito de homicídio em 2006. Em 2011, chegou a ser preso por tráfico de drogas e associação para o tráfico, em Mosqueiro.
Em setembro de 2018, o então vereador voltou a ser preso durante uma operação policial que investigava o tráfico de drogas. Na ocasião, as investigações apontavam uma possível ligação dele com uma organização criminosa. Deivite negou envolvimento com facções.
Vereador foi assassinado em Belém
A trajetória de Deivite Galvão terminou de forma violenta em 21 de fevereiro de 2019, quando ele foi assassinado a tiros no bairro da Pedreira, em Belém, aos 37 anos. O vereador estava em um carro com a esposa quando criminosos se aproximaram e efetuaram diversos disparos.
Os tiros atingiram a parte dianteira do veículo e a janela do passageiro. O motorista não ficou ferido. Deivite e a esposa foram socorridos e levados ao Hospital Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, mas o vereador não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Civil iniciou as investigações ainda naquele dia, com a participação da Divisão de Homicídios e do Grupo de Pronto-Emprego. A motivação do assassinato e a identificação dos responsáveis passaram a ser objeto de investigação.
Vereador já havia sobrevivido a atentado
O assassinato de 2019 não foi o primeiro ataque contra Deivite. Em 18 de junho de 2013, ele sofreu uma tentativa de homicídio quando chegava à Câmara Municipal de Ananindeua.
Segundo informações da Polícia Civil, um homem em uma motocicleta se aproximou e disparou várias vezes contra o parlamentar, que foi atingido por seis tiros. Ele foi encaminhado ao Hospital Metropolitano, onde passou por cirurgia.
Um taxista que estava nas proximidades ajudou no socorro. O caso foi registrado na 14ª Seccional Urbana de Ananindeua, e a polícia realizou buscas para localizar o autor dos disparos.
Mesmo após o atentado, Deivite permaneceu na política e conseguiu a reeleição em 2016.
Operação policial voltou a investigar a morte
Em setembro de 2023, quatro anos após o assassinato, a Polícia Civil deflagrou a Operação Aurá para aprofundar as investigações sobre o crime. A ação cumpriu sete mandados de busca e apreensão contra agentes de segurança pública suspeitos de participação no homicídio.
A operação contou com equipes da Divisão de Homicídios, do Núcleo de Inteligência Policial, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e da Corregedoria da Polícia Militar.
Durante as diligências, foram apreendidos armas, munições de diferentes calibres, celulares, pendrives, um tablet e HDs externos. Duas pessoas foram conduzidas para prestar esclarecimentos, e uma delas foi autuada em flagrante por posse ilegal de munição.
Na ocasião, a investigação ainda buscava esclarecer a autoria do assassinato, a motivação e a possível participação de mandantes.
A homenagem feita por Daniel Santos, portanto, remete a um personagem que deixou marcas tanto na política municipal quanto no histórico de investigações policiais no Pará. A praça inaugurada em 2023 permanece como uma das obras de lazer entregues pela gestão municipal no Aurá, mas a escolha do nome do ex-vereador coloca novamente em discussão o legado político de Deivite Galvão.
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Fonte: Diário do Pará



