
Sérgio Moro (PL) foi eleito governador do Paraná neste domingo, 4, no primeiro turno, impondo uma derrota expressiva ao grupo político do atual governador Ratinho Junior (PSD). Com 99,17% das urnas apuradas, o ex-juiz alcançava 50,18% dos votos válidos, o equivalente a 3.106.644 votos. Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo governador e que tinha o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca como vice, aparecia em segundo lugar, com 25,29%, ou 1.565.324 votos. Requião Filho (PDT) ocupava a terceira posição, com 23,46%.
Vitória de Moro interrompe continuidade do grupo de Ratinho Junior
A vitória de Moro interrompe a tentativa de continuidade do grupo que governa o Paraná há oito anos. Mesmo contando com o apoio de Ratinho Junior, bem avaliado no estado, Sandro Alex não conseguiu transferir para a própria candidatura a força eleitoral e a estrutura política construídas pelo governador.
Moro, por sua vez, conseguiu reunir o eleitorado conservador, recuperar o discurso de combate à corrupção e consolidar a reaproximação com o bolsonarismo. Filiado ao PL desde março, ele transformou a eleição estadual em uma espécie de plebiscito sobre sua própria trajetória.Do céu ao inferno — e de volta ao topo
Trajetória política de Sérgio Moro: do céu ao inferno e de volta ao topo
Poucas carreiras públicas tiveram uma montanha-russa tão intensa quanto a de Sérgio Moro. O ex-juiz foi do céu ao inferno e, agora, retorna ao céu político, desta vez conduzido diretamente pelo voto dos paranaenses.
Moro ganhou projeção nacional a partir de 2014, quando comandou, na primeira instância, os processos da Operação Lava Jato em Curitiba. Tornou-se um dos personagens mais conhecidos do país, tratado por seus apoiadores como símbolo do combate à corrupção.
No auge da popularidade, deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro, em 2019. A passagem pelo Executivo, porém, terminou de maneira traumática. Moro pediu demissão em abril de 2020, acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Senado Notícias
Depois vieram os anos mais difíceis. As mensagens reveladas no episódio conhecido como “Vaza Jato” colocaram em dúvida a imparcialidade da condução de processos da operação. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionadas à 13ª Vara Federal de Curitiba e reconheceu a parcialidade de Moro no processo do tríplex do Guarujá.
A imagem do juiz admirado por parcelas expressivas da população sofreu forte desgaste. Moro ainda ensaiou uma candidatura à Presidência da República, trocou de partido e enfrentou incertezas sobre o próprio futuro eleitoral.
Reconstrução política e retorno ao centro do poder
Mas sobreviveu politicamente. Em 2022, foi eleito senador pelo Paraná com mais de 1,9 milhão de votos, iniciando sua reconstrução pelas urnas. Também enfrentou ações que pediam a cassação do mandato, mas permaneceu no cargo.
Em 2026, completou o movimento de retorno ao campo bolsonarista ao ingressar no PL. A aliança carregava uma dose evidente de pragmatismo: Moro voltou ao partido de Bolsonaro, de cujo governo havia saído atirando, e o PL ganhou um candidato competitivo para disputar o controle do Paraná.
A vitória para o governo estadual recoloca Sérgio Moro no centro da política nacional e oferece ao ex-juiz uma estrutura de poder muito maior do que a cadeira no Senado. A partir de 2027, ele comandará um dos estados mais importantes do país e passará a administrar orçamento, secretarias e uma ampla base política.
Fonte: Diário do Pará



