
Baixar um aplicativo no celular pode parecer uma tarefa simples, mas nem sempre é assim. Letras pequenas, perguntas de segurança, dados que precisam ser preenchidos exatamente como aparecem no cadastro eleitoral e a criação de uma senha com várias exigências podem transformar o procedimento em um pequeno labirinto digital — especialmente para quem não cresceu cercado por telas.
A dificuldade não deve constranger ninguém. Aos 66 anos, a própria autora deste guia encontrou obstáculos para baixar e ativar o e-Título. A experiência serviu de alerta: se o aplicativo foi criado para facilitar o exercício da cidadania, as orientações também precisam ser simples, pacientes e acessíveis.
O e-Título é a versão digital do título de eleitor e pode ser usado para consultar a situação eleitoral, a zona, a seção e o endereço do local de votação. O aplicativo também oferece serviços como justificativa de ausência e emissão de certidões.
Como baixar e ativar o e-Título
Nas Eleições de 2026, uma novidade importante é que o aplicativo poderá ser baixado e ativado inclusive neste domingo (4), dia do primeiro turno. Ainda assim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomenda que o procedimento seja feito antecipadamente, para evitar dificuldades provocadas pelo grande número de acessos. Tribunal Superior Eleitoral
Como baixar o e-Título
O aplicativo é gratuito. Antes de começar, tenha em mãos o CPF ou o número do título de eleitor e procure um local com conexão estável à internet.
Abra a loja de aplicativos do celular
Nos aparelhos Android, como Samsung, Motorola e Xiaomi, procure a Play Store.
No iPhone, abra a App Store.
Pesquise por “e-Título”
Digite o nome no espaço identificado pelo desenho de uma lupa. Confira se é o aplicativo oficial da Justiça Eleitoral. No Android, ele aparece como “e-Título — Justiça Eleitoral Brasileira”; no iPhone, o desenvolvedor informado é o Tribunal Superior Eleitoral.
Toque em “Instalar” ou “Obter”
Aguarde o término do download. Depois, toque em Abrir.
Leia e aceite os termos de uso
Na primeira tela, será necessário aceitar as condições apresentadas pelo aplicativo.
Preencha os dados pessoais
O sistema pedirá:
nome completo;
data de nascimento;
CPF ou número do título de eleitor;
nome da mãe;
nome do pai.
Os dados devem ser digitados exatamente como constam no cadastro da Justiça Eleitoral, inclusive nome de casada ou de solteira e eventuais acentos. Qualquer diferença pode impedir a validação. Tribunal Superior Eleitoral
Responda às perguntas de segurança: O aplicativo mostrará algumas perguntas para confirmar a identidade do eleitor. Leia cada alternativa com calma antes de responder.
Crie uma senha: Atenção: a senha não é formada por apenas quatro números. Pelas regras atuais, ela deve ter de 8 a 70 caracteres e conter,
uma letra maiúscula; uma letra minúscula; um número; e um símbolo, como !, @, # ou %.
Uma possibilidade fácil de memorizar é combinar duas palavras, um número e um símbolo, sem usar nome, aniversário ou informações óbvias. A senha não deve ser compartilhada com desconhecidos. Concluída a confirmação dos dados, o título digital aparecerá na tela. Aproveite para conferir a zona, a seção e o endereço do local de votação.
Guia especial para quem tem mais de 60 anos
Quem sentir dificuldade pode pedir ajuda a um filho, neto, parente ou pessoa de confiança. O ideal é fazer o procedimento no próprio celular do eleitor, porque o aplicativo não permite manter simultaneamente dois títulos diferentes no mesmo aparelho.
- Antes de começar:
- aumente o tamanho das letras nas configurações do celular;
aumente o brilho da tela;
coloque os óculos, se costuma usá-los para leitura;
tenha CPF e título eleitoral por perto;
escolha uma senha que consiga recordar;
anote a senha e guarde a anotação em local seguro;
faça o procedimento sentado e sem pressa;
não entregue documentos, senhas ou códigos recebidos no celular a desconhecidos.
O e-Título funciona em aparelhos com Android a partir da versão 6.0 e iPhones com iOS 13 ou versões mais recentes. Celulares muito antigos podem não aceitar a instalação. FAQ — Tribunal Superior Eleitoral
Se o aplicativo não reconhecer os dados, confira principalmente o nome completo e a filiação. O nome da mãe ou do pai precisa estar escrito da mesma maneira que aparece no cadastro eleitoral.
Não conseguiu baixar o e-Título? Você pode votar assim mesmo
O e-Título não é obrigatório para votar. Quem não conseguir baixar, ativar ou abrir o aplicativo poderá comparecer normalmente à seção eleitoral com um documento oficial com fotografia.
São aceitos, entre outros: carteira de identidade ou Carteira de Identidade Nacional; Carteira Nacional de Habilitação; passaporte; carteira de trabalho física; carteira profissional expedida por conselho de classe.
O documento pode estar vencido, desde que a fotografia ainda permita identificar o eleitor. O título em papel ajuda a localizar a zona e a seção, mas não substitui o documento com foto. Certidões de nascimento ou casamento e a carteira de trabalho digital não são aceitas para identificação. Tribunal Superior Eleitoral
Também é possível votar sem ter feito o cadastro biométrico, desde que o título esteja regular e o eleitor apresente um documento oficial com fotografia.
Quando o e-Título vale como documento e uso do celular na votação
O aplicativo somente pode ser usado sozinho para identificar o eleitor se apresentar a fotografia na tela. Normalmente, a foto aparece para quem já realizou o cadastramento biométrico e concluiu a validação no aplicativo.
Se o e-Título abrir sem fotografia, leve também a carteira de identidade, a CNH ou outro documento oficial com foto. FAQ — Tribunal Superior Eleitoral
Celular fica com os mesários antes da urna
O eleitor poderá mostrar o e-Título no celular aos mesários. Depois da identificação, porém, deverá desligar o aparelho e deixá-lo no local indicado pela mesa receptora.
É proibido entrar na cabine com celular, relógio inteligente, câmera, filmadora ou qualquer equipamento capaz de registrar ou transmitir imagens. O aparelho será devolvido depois da votação. Quem se recusar a entregá-lo não poderá se dirigir à urna naquele momento. Tribunal Superior Eleitoral
Por isso, os números dos candidatos devem ser anotados em papel. A tradicional “colinha” continua permitida — e, neste caso, o velho papel presta um serviço que nenhuma bateria descarregada consegue prestar.
Voto facultativo no Pará e prioridade para idosos
O Pará possui 6.265.355 eleitores aptos a participar das Eleições de 2026. Desse total, 488.692 têm 70 anos ou mais, o equivalente a aproximadamente 7,8% do eleitorado estadual. Para esse grupo, o voto é facultativo: comparecer é um direito, não uma obrigação. Tribunal Regional Eleitoral do Pará
- Faixa etáriaEleitores no Pará
- 70 a 74 anos: 203.827
- 75 a 79 anos: 136.140
- 80 a 84 anos: 81.490
- 85 a 89 anos: 41.978
- 90 a 94 anos: 17.197
- 95 a 99 anos: 5.690
- 100 anos ou mais: 2.370
- Total com 70 anos ou mais: 488.692
Não existe levantamento capaz de revelar quantos pretendem comparecer para votar novamente no candidato que acompanham há muitos anos, porque a escolha é pessoal e o voto é secreto. O dado disponível mostra, porém, que quase meio milhão de paraenses dessa faixa etária estão aptos a participar voluntariamente da decisão.
Quem tem 70 anos ou mais não precisa justificar a ausência nem sofre penalidade se decidir não votar. Mas pode comparecer no primeiro turno, no segundo ou em ambos, conforme sua vontade.
Idosos têm prioridade na fila
Todos os eleitores com 60 anos ou mais têm atendimento prioritário nos locais de votação. Pessoas com mais de 80 anos possuem prioridade absoluta e devem ser atendidas antes dos demais grupos preferenciais, independentemente do horário em que chegarem à seção. O direito também se estende ao acompanhante. Tribunal Superior Eleitoral
Eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida também podem receber auxílio de uma pessoa de confiança durante a votação, inclusive dentro da cabine, quando a necessidade for reconhecida pelo presidente da mesa.
O e-Título pode facilitar o caminho até a seção, mas não deve se transformar em obstáculo. Com aplicativo ou sem aplicativo, o mais importante é separar um documento com fotografia, conferir o local de votação e sair de casa com antecedência — especialmente no Pará, onde distâncias, travessias de rios e deslocamentos por barco fazem parte da rotina de milhares de eleitores.
Fonte: Diário do Pará



