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Lula sobe o tom por Hana: “Tem que ser governadora”

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100 mil pessoas, segundo os organizadores, participaram do comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, na noite de ontem, 28, na Praça da República, em Belém. O ato abriu a última semana antes do primeiro turno das eleições gerais de 2026, quando o candidato deve percorrer cidades-chave na disputa por votos. No palanque, montado em frente ao Theatro da Paz, discursaram os candidatos apoiados pelo presidente na disputa do Senado e Governo do Estado, além do prefeito Igor Normado e a primeira-dama Janja Silva. No palco também estiveram presentes os senadores Beto Faro (PT) e Jader Barbalho (MDB). O presidente do PT nacional, Edinho Silva, acompanhou o comício.

Ao pedir apoio a Hana Ghassan, candidata à reeleição como governadora do Pará, Lula foi direto ao associar as duas candidaturas. “É importante que a gente não vacile. É importante vocês saberem: quem achar que o Lula deve ser o presidente da República precisa achar que a Hana tem que ser governadora do Estado do Pará”, afirmou. O presidente destacou a trajetória profissional da candidata e apresentou a eleição de Hana como continuidade do grupo político que atualmente governa o Estado.

“Não só por você ser mulher, mas por ser competente, por ser uma profissional de carreira, por ter dado prova de sobra da sua competência, é o que tem de melhor para governar o Estado do Pará e dar continuidade à obra de governo”, declarou.

Lula também pediu unidade do campo progressista e centrista, que estão aliados no estado, na hora do pleito também em relação às disputas legislativas. “Eu quero acabar com o orçamento secreto. Eu quero fazer reforma política, eu quero fazer reforma do Poder Judiciário. E eu preciso de gente altamente comprometida, de deputado estadual, deputado federal e senador, para que a gente possa fazer as mudanças necessárias, porque senão a gente não consegue governar esse país do jeito que vocês esperam”, disse.

Foi ao tratar do Senado que Lula abordou um impasse vigente. Com três candidatos aliados no palanque para apenas duas vagas, o presidente sugeriu que o PT e a ala emedebista paraense busquem alinhamento.

“Nós só temos duas vagas no Senado. O Celso sabe que eu quero que ele seja candidato ao Senado. O Chicão, por todo o direito, também quer ser candidato ao Senado. O Chicão tem o apoio do companheiro Helder e o Celso tem o meu apoio”, explicou Lula. “Acho que o presidente do meu partido tem que ter responsabilidade, junto com o presidente do MDB, de amanhã ou, no máximo, depois de amanhã fazer uma avaliação para saber qual dos nossos três tem condições de ser eleito senador da República”, sugeriu.

Lula exalta programas sociais e cita passagens pelo Pará

No discurso em frente ao Theatro, Lula adotou estratégia diferente ao falar dos adversários, mas fez críticas ao campo bolsonarista e ressaltou que a atuação do governo foi decisiva no fechamento do banco Master. Lula disse, no entanto, que prefere apresentar o próprio legado a centrar a campanha em comparações pessoais e elencou programas sociais como o Bolsa Família e o Prouni, rememorando o legado petista na Presidência. 

Ao lembrar suas primeiras passagens pelo Pará, Lula citou viagens pelo interior durante a organização do PT e a relação construída com Jader Barbalho. “Quando eu ganhei as eleições para presidente, eu ganhei um amigo chamado Jader Barbalho, que esteve do meu lado nos momentos mais difíceis, me defendendo no Senado”, afirmou. Em seguida, elogiou Helder e o ex-ministro Jader Filho pela atuação política no Estado. 

Helder Barbalho, ex-governador e candidato ao Senado, reconheceu a disputa entre os aliados, mas pediu que a concorrência pelas duas vagas não se transforme em confronto interno. “Primeiro, nós não somos inimigos entre nós. Podemos estar disputando a mesma vaga, mas não somos inimigos. Quem apresentou o Celso para o presidente Lula fui eu. Quando o presidente veio aqui já eleito, ele me perguntou e eu levei o Celso para conversar com ele. Nessa conversa, o Celso virou ministro”, afirmou. “Portanto, quero dizer muito claramente, nós não podemos brigar entre nós”, completou. 

No discurso, o ex-governador direcionou críticas aos adversários políticos. “De um lado estão os golpistas, de um lado estão os extremistas, de um lado estão aqueles que negaram a Covid, que negaram a saúde para a nossa população. Do outro lado está o time da COP”, declarou. Helder ressaltou que as candidaturas do grupo são importantes para a manutenção dos valores democráticos no Pará e no Congresso. “O que está em jogo é ter dois senadores comprometidos com a democracia, comprometidos com as pautas importantes para o Pará”, disse. 

Helder também comparou sua experiência como governador durante diferentes administrações federais para justificar o apoio a Lula. “Eu pude ser governador do Pará tendo Bolsonaro como presidente e tive a oportunidade de ser governador tendo o senhor como presidente. Eu não tenho dúvida. Se eu pude fazer um governo que a população hoje reconhece, eu lhe devo muito, porque foi a parceria com o seu governo que permitiu que nós fizéssemos muita coisa em favor do Pará”, afirmou. 

Hana destaca parceria e cita COP

Hana Ghassan afirmou que acompanhou de perto a parceria entre Lula e Helder e colocou a realização da COP30 como símbolo dessa aproximação. Segundo ela, a decisão de levar a conferência a Belém foi seguida de resistências que exigiram sustentação política. “Mais difícil que tomar a decisão de trazer a COP para cá, foi manter a COP aqui. Porque, depois que foi decidido, nós vivemos muitos preconceitos. Muitos preconceitos do Brasil e do mundo, que nos julgaram sem nos conhecer. O presidente bancou ‘é no Pará, é em Belém, contra tudo e contra todos’”, afirmou.

Hana relacionou a conferência às obras realizadas na capital e rebateu críticas sobre os investimentos. “Quem fala que a COP foi para turista é porque não sabe a realidade do nosso Estado. Não mora num canal que foi recuperado, não mora mais no alagado, que teve a vida transformada”, declarou. “A partir da COP nós mostramos que ninguém pode colocar limite no Estado do Pará. Quem apostar contra o Pará vai perder sempre”, completou.

Chicão procurou destacar que sua aproximação política com o presidente não nasceu nesta eleição.“A minha carreira, presidente, também foi construída no diálogo. Eu não preciso dizer aqui neste palco há quanto tempo eu visto a bandeira e carrego o nome Lula no Estado do Pará. Quem me conhece sabe. Eu não preciso vir aqui para dizer que entrei nesse barco agora”, afirmou. Chicão também buscou ressaltar o voto casado para tentar barrar a eleição de candidatos de extrema-direita. “Nós temos dois projetos, um no Brasil e um aqui no Governo do Estado, que é a Hana. E aqui nós temos a oportunidade de ter um senador aliado ao presidente Lula que tem condições de derrotar, no dia 4, o extremismo e o radicalismo nesse Estado. E esse candidato sou eu”, declarou.

No discurso, Celso Sabino falou da proximidade com o presidente. Ex-ministro do Turismo, lembrou que permaneceu no governo mesmo depois de ser pressionado pelo partido ao qual pertencia. “Quando o meu ex-partido colocou na parede todos os seus filiados para soltar a mão do Lula, eu não tive dúvida, fiquei ao seu lado, presidente, e ao lado do povo do Pará nas vésperas da COP30”, disse. O candidato também fez da composição do Congresso um dos principais argumentos de sua fala. “Nós precisamos ter um Congresso, especialmente um Senado, que seja progressista, aliado do Lula, que possa aprovar e defender os projetos em favor do povo brasileiro e da classe trabalhadora desse país”, afirmou.

Janja Silva fez o discurso mais diretamente voltado ao confronto com a família do candidato à presidente Flávio Bolsonaro. Ao pedir a reeleição de Lula, contrapôs políticas dos governos petistas à administração anterior, citando combate à fome, vacinação, Farmácia Popular, saúde da mulher e proteção contra a violência. “É hora de colocar na balança a história de vida do presidente Lula e do Bolsonaro filho. De ver tudo que o Lula já fez pelo Brasil”, afirmou.

Ela também direcionou críticas à condução da pandemia pelo governo anterior e associou o tema à própria história familiar. “Não vamos esquecer nunca da responsabilidade da família Bolsonaro pela morte de mais de 700 mil pessoas, incluindo a minha mãe, que morreu durante a pandemia da Covid”, declarou. A primeira-dama declarou-se devota de Nossa Senhora de Nazaré no discurso e disse que pediu pela saúde do marido à santa quando ele caiu no banheiro e precisou passar por uma cirurgia na cabeça, em 2024. Ao final do ato, o ex-governador Helder presenteou Lula com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

Ainda na noite de ontem o candidato Lula viajou para Fortaleza, onde participa, hoje de manhã, de uma passeata com o governador Elmano de Freitas (PT). Ainda nesta terça, 29, o presidente estará em Salvador, à tarde, para outra passeata, ao lado do candidato petista ao governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

Fonte: Diário do Pará

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