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Lula intensifica campanha nas redes sociais no 2º turno

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o tom da campanha para o segundo turno das eleições e passou a reforçar sua presença nas redes sociais. Em vídeo publicado nesta quarta-feira, 7, o candidato do PT à reeleição convocou apoiadores a irem às ruas e conversarem com eleitores para impedir, segundo ele, o retorno do “retrocesso” ao país.

A movimentação ocorre depois de um primeiro turno desfavorável ao petista. Flávio Bolsonaro, candidato do PL, terminou a primeira etapa da disputa na frente, com 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões de Lula. A diferença chegou a cerca de 2,3 milhões de votos.

Diante desse cenário, aliados do presidente passaram a defender uma atuação mais intensa de Lula nas redes sociais. A avaliação dentro da campanha é que o candidato precisa ampliar o diálogo com eleitores que ainda não decidiram o voto e também alcançar pessoas que deixaram de comparecer às urnas.

No vídeo publicado no Instagram, Lula pediu que seus apoiadores levem a campanha para as ruas e conversem diretamente com a população.

“Bora, gente, pra rua, vamos conversar com as pessoas, você que gosta do Brasil, que gosta da educação, da democracia, que quer ter emprego de qualidade, continuar estudando e ver o Brasil crescer, que precisa melhorar de vida, bora pra rua”, afirmou.

Na sequência, o presidente reforçou o principal argumento que sua campanha pretende usar nesta fase da eleição.

“Vamos ganhar estas eleições para não permitir que o retrocesso volte para esse país, vamos lá gente, tá na hora”, disse Lula.

A mudança na comunicação ganhou força depois de uma reunião de aliados realizada na segunda-feira, 5, em Brasília. Segundo relatos de integrantes da campanha, Lula demonstrou preocupação com o desempenho da estratégia adotada no primeiro turno e passou a defender uma comunicação mais direta com o eleitor.

A campanha também pretende ampliar a participação de influenciadores de esquerda e de jovens políticos eleitos. A intenção é formar uma rede digital capaz de levar a mensagem do PT a públicos que tiveram pouca interação com a campanha presidencial durante a primeira etapa da eleição.

Um dos pontos considerados prioritários é a aproximação com jovens e mulheres. Aliados avaliam que a campanha teve dificuldades para conversar com esses grupos e que a comunicação precisa abandonar temas considerados distantes do cotidiano de parte do eleitorado.

Nesse contexto, a equipe passou a defender uma presença mais frequente de Lula no Instagram e em outras plataformas. O próprio presidente afirmou que pretende gravar mais vídeos para as redes, embora também queira ampliar sua participação em entrevistas para rádios.

A mudança acontece em paralelo a uma nova estratégia política do PT. Depois do resultado do primeiro turno, a campanha passou a destacar possíveis perdas para a população caso Flávio Bolsonaro seja eleito.

A abordagem ganhou internamente o apelido de “estratégia do medo”. A ideia consiste em apresentar programas sociais, benefícios e políticas públicas associados ao governo Lula como conquistas que poderiam ser alteradas com uma mudança de presidente.

Uma das peças divulgadas pelo PT nas redes sociais afirma que “algumas perdas não têm volta”. O material cita programas como Pé de Meia e Mais Médicos, além do reajuste real das aposentadorias.

A campanha também mira os eleitores que não participaram do primeiro turno. A abstenção chegou a aproximadamente 33 milhões de pessoas, segundo os dados eleitorais apresentados no material. Para o PT, parte desse eleitorado pode voltar às urnas no segundo turno caso encontre uma motivação mais clara para votar.

Além da disputa nas redes, Lula passou a concentrar esforços em temas ligados ao cotidiano dos trabalhadores. Um dos principais assuntos é o fim da escala 6×1, proposta que avançou para discussão no Senado.

Lula voltou a cobrar Flávio Bolsonaro sobre o posicionamento em relação à mudança. O petista afirmou que o adversário é contrário à redução da jornada e tentou transformar o tema em uma questão diretamente ligada à vida das famílias.

“Flávio Bolsonaro é contra. Para ele, quem trabalhar menos tem que ganhar menos. Queria ver ele explicar para uma mãe de família qual conta ela deixa de pagar para poder descansar. A comida? A luz? O aluguel? Quem vive de salário sabe que isso não é escolha”, declarou Lula.

A proposta em discussão no Congresso estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial. O texto começou a ser analisado pelo plenário do Senado.

O governo espera aprovar a proposta ainda antes do segundo turno. Para isso, aliados de Lula também pretendem pressionar integrantes da oposição a se posicionarem sobre o tema.

Enquanto o PT busca acelerar a votação, integrantes do PL e do Republicanos devem discutir uma estratégia para evitar que a proposta avance neste momento da campanha.

A disputa pelo segundo turno, portanto, passou a combinar presença nas redes sociais, mobilização nas ruas e temas econômicos e trabalhistas. Lula tenta recuperar terreno depois de terminar a primeira etapa atrás de Flávio Bolsonaro e aposta em uma comunicação mais direta para conquistar eleitores que ainda não definiram o voto.

Fonte: Diário do Pará

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