
Guilherme Benchimol, fundador da XP, afirmou que, em determinado momento da vida, o dinheiro pode deixar de ser um objetivo e até começar a atrapalhar. Aos 50 anos e com uma fortuna estimada em R$ 9,1 bilhões, o empresário disse que nunca teve como principal meta acumular riqueza.
A declaração foi dada em entrevista à Forbes Brasil, durante o B55 Conference, realizado em São Paulo nos dias 29 e 30 de setembro. A entrevista também revisitou a trajetória de Benchimol à frente da XP e as escolhas feitas durante os 25 anos de construção da empresa.
O dinheiro como consequência do crescimento
Segundo o empresário, que ocupa a 37ª posição na lista de 255 bilionários brasileiros da Forbes em 2026, o patrimônio acumulado veio como consequência do crescimento dos negócios. A XP, empresa criada por ele há 25 anos, está listada na Nasdaq e possui valor de mercado próximo de US$ 10 bilhões.
“Eu nunca mirei no dinheiro. O dinheiro, para mim, é uma consequência”
afirmou Benchimol à Forbes Brasil
Benchimol também afirmou que faria novamente as escolhas que o levaram à construção da XP. No entanto, disse que mudaria a forma como aproveitou o caminho até chegar aos resultados atuais.
O empresário reconheceu que passou boa parte da carreira concentrado em novos objetivos. Segundo ele, uma conquista acabava levando imediatamente à busca pela próxima.
Hoje, ao olhar para os 25 anos de história da empresa, Benchimol afirma que gostaria de ter aproveitado mais o processo: “Talvez uma coisa que eu fizesse diferente é tentar curtir um pouco mais a jornada” declarou.
Quando o dinheiro começa a atrapalhar
Para Guilherme Benchimol, chega um momento em que o dinheiro deixa de ser uma preocupação e pode até começar a atrapalhar.
Segundo o fundador da XP, quando a pessoa já conquistou um patrimônio suficiente para viver com tranquilidade, acumular ainda mais riqueza perde parte do sentido e pode tirar o foco de outras áreas importantes da vida.
Isso porque o dinheiro proporciona uma série de coisas materiais, como uma boa casa, carro do ano, viagens, saúde de qualidade, etc; mas afirma que “Muito mais do que isso começa a atrapalhar. Então, não é por aí que está a felicidade.”
A pressão faz parte da trajetória
O bilionário não deixou de destacar na entrevista a grande pressão que aparece com frequência em sua vida, algo que é, inclusive, muito mais profundo que apenas a busca por riqueza. Antes de subir ao palco para falar com milhares de empreendedores, ele costuma ouvir a música “Under Pressure”, de Queen e David Bowie.
A escolha, segundo a reportagem, tem relação com a própria personalidade de Guilherme: extremamente competitiva e em busca de novos desafios. Apesar do tamanho alcançado, ele continua com uma certa cobrança diária: “Eu não cheguei lá”.
Por conta dessa característica, ele se descreve como um underdog, expressão usada para designar aquele que entra em uma disputa sem ser apontado como favorito, mas precisa conquistar espaço.
Benchimol compara o ambiente empresarial a uma arena, pois, antes dos negócios, ele tinha no tênis uma possibilidade de carreira profissional, mas acabou direcionando sua energia competitiva para o empreendedorismo.
- Estagiária sob supervisão de Clayton Matos
Fonte: Diário do Pará



