InícioÚltimas NotíciasGordura visceral: riscos do "magro por fora, gordo por dentro"

Gordura visceral: riscos do “magro por fora, gordo por dentro”

- Advertisement -

Uma pessoa pode ser magra, apresentar peso considerado adequado e, ainda assim, acumular gordura em regiões que representam risco para a saúde. O fenômeno conhecido como “magro por fora, gordo por dentro” está relacionado principalmente à gordura visceral, armazenada na cavidade abdominal e ao redor de órgãos internos, e mostra que o número registrado na balança não é suficiente para determinar a saúde metabólica de uma pessoa.

Em vídeo publicado pelo projeto Vida Boa, de O Globo, o endocrinologista Fabiano Serfaty explica que mesmo pessoas aparentemente magras podem apresentar exames alterados e acúmulo de gordura prejudicial. O especialista diferencia principalmente a gordura subcutânea, localizada sob a pele, daquela depositada em regiões mais profundas do organismo.

O perfil ganhou a sigla TOFI, derivada da expressão inglesa “Thin Outside, Fat Inside”, ou “magro por fora, gordo por dentro”. A condição descreve indivíduos que não apresentam obesidade aparente, mas possuem quantidade elevada de gordura visceral.

Gordura que não aparece no espelho

A gordura subcutânea é aquela encontrada logo abaixo da pele e costuma ser mais perceptível visualmente. Já a visceral fica mais profundamente instalada no abdômen e pode envolver estruturas como fígado, pâncreas e intestinos. Por isso, uma pessoa pode não apresentar grande quantidade de gordura corporal aparente e, mesmo assim, possuir depósitos internos relevantes.

O problema é que o tecido adiposo visceral apresenta atividade metabólica e está relacionado à liberação de substâncias inflamatórias. O excesso desse tipo de gordura está associado à resistência à insulina, hipertensão, alterações do colesterol e dos triglicerídeos, diabetes tipo 2 e aumento do risco de doenças cardiovasculares.

Peso não conta toda a história

A existência do fenômeno também expõe limitações do Índice de Massa Corporal (IMC) quando utilizado isoladamente. O cálculo considera peso e altura, mas não determina onde a gordura está armazenada nem diferencia adequadamente gordura corporal de massa muscular.

Dessa maneira, duas pessoas com o mesmo IMC podem apresentar composições corporais e condições metabólicas bastante diferentes. Uma delas pode possuir maior massa muscular e menor quantidade de gordura, enquanto outra pode ter pouca massa muscular e concentração elevada de gordura visceral.

Isso não significa que o IMC tenha perdido sua utilidade. O índice continua sendo empregado como ferramenta de triagem populacional e clínica, mas sua interpretação pode ser complementada por outras informações, como circunferência abdominal, exames laboratoriais, histórico médico e avaliação da composição corporal.

Hábitos influenciam o acúmulo

Alimentação desequilibrada, excesso de calorias, consumo frequente de alimentos ricos em açúcares e gorduras saturadas, sedentarismo e baixa quantidade de massa muscular estão entre os fatores associados ao acúmulo de gordura visceral. Aspectos genéticos, hormonais e metabólicos também podem contribuir para esse perfil.

O estresse crônico também é apontado como um possível fator relacionado ao problema, uma vez que alterações persistentes do cortisol podem favorecer o depósito de gordura na região abdominal. A presença desses fatores ajuda a explicar por que a aparência física, isoladamente, não permite avaliar o risco metabólico de uma pessoa.

Como identificar

A avaliação médica é importante porque o excesso de gordura visceral pode não produzir sinais evidentes. Medidas corporais, exames de sangue e métodos para analisar a composição corporal podem ser utilizados conforme a situação de cada paciente.

A bioimpedância é uma das ferramentas disponíveis para estimar a composição corporal. Quando há necessidade de avaliação mais detalhada, exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, podem fornecer informações sobre a distribuição da gordura no organismo.

Mais que emagrecer

Para quem apresenta excesso de gordura visceral, a abordagem não deve ficar restrita à busca por um número menor na balança. Alimentação equilibrada, atividade física regular e preservação ou aumento da massa muscular fazem parte das estratégias empregadas para melhorar a composição corporal e reduzir fatores de risco metabólico.

A orientação profissional também permite identificar alterações de glicemia, colesterol, triglicerídeos e pressão arterial que podem existir mesmo em pessoas sem sobrepeso aparente.

O principal alerta é que magreza e saúde metabólica não são necessariamente sinônimos. A distribuição da gordura, a quantidade de massa muscular, os hábitos cotidianos e os indicadores clínicos oferecem uma avaliação mais ampla do organismo do que o peso corporal analisado sozinho.



Fonte: Diário do Pará

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -spot_img

Mais populares

Comentários recentes