
Um novo tipo de fraude chama a atenção de consumidores que usam cartão de crédito e Pix no dia a dia. No golpe, criminosos conseguem fazer uma transferência usando o limite do cartão, enquanto a vítima pode ficar com o valor lançado posteriormente na fatura.
A prática pode ocorrer de diferentes maneiras. Em alguns casos, o criminoso invade a conta da vítima. Em outros, utiliza a chamada engenharia social, quando convence a própria pessoa a realizar uma operação acreditando que está fazendo um pagamento legítimo.
O problema é que o dinheiro do Pix chega rapidamente à conta indicada pelo golpista. Já para a vítima, a operação pode aparecer como uma dívida no cartão de crédito.
Como funciona o golpe do Pix no cartão?
A fraude explora justamente a facilidade de movimentar dinheiro por meios digitais. O criminoso pode induzir a vítima a utilizar o cartão para realizar um Pix ou, em determinadas situações, acessar a conta e executar a operação.
Quando a transação acontece, o dinheiro é transferido para o destinatário. Ao mesmo tempo, o valor utilizado pode comprometer o limite do cartão de crédito e aparecer posteriormente na fatura.
Por isso, a vítima precisa agir rapidamente ao perceber uma movimentação que não reconhece.
O que fazer depois de cair no golpe?
O primeiro passo é procurar imediatamente a instituição financeira. O consumidor deve informar que houve uma fraude e pedir a abertura de uma contestação.
No caso do Pix, também é importante verificar com o banco a possibilidade de acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED). O procedimento permite que a instituição financeira avalie a transação e tente bloquear os recursos que ainda estiverem disponíveis na conta que recebeu o dinheiro.
Segundo as orientações reunidas no material, o pedido pode ser feito em até 80 dias. No entanto, a rapidez é importante porque aumenta a possibilidade de o dinheiro ainda estar disponível para bloqueio.
E a cobrança no cartão de crédito?
Quando o Pix utiliza o limite do cartão, a vítima também deve procurar a instituição responsável pelo cartão e contestar o lançamento.
O consumidor deve explicar que não reconhece a operação ou que foi vítima de uma fraude e solicitar a análise do caso. Dependendo da situação, a instituição poderá avaliar a possibilidade de suspensão ou estorno da cobrança.
Por isso, guardar protocolos de atendimento, comprovantes e registros das conversas com o banco é importante.
Boletim de ocorrência também é importante
Outra medida indicada é registrar um Boletim de Ocorrência.
O documento deve apresentar o máximo de informações possível sobre a fraude. A vítima pode relatar como os criminosos entraram em contato, qual foi a abordagem utilizada, quando ocorreu a transação e qual valor foi movimentado.
O registro também pode ser encaminhado à instituição financeira durante a contestação, quando solicitado.
Golpe pode envolver engenharia social
Nem sempre o criminoso precisa invadir diretamente a conta da vítima. Uma das estratégias utilizadas envolve a engenharia social.
Nesse tipo de abordagem, o golpista manipula a vítima para que ela mesma forneça informações, clique em links, realize procedimentos ou confirme uma operação.
Por isso, mensagens urgentes, pedidos inesperados de pagamento e contatos que pressionam o consumidor a agir rapidamente devem levantar suspeitas.
Além disso, o consumidor deve desconfiar de ofertas que prometem vantagens financeiras em troca de transferências ou do uso do limite do cartão.
Seguro pode ajudar?
Algumas instituições financeiras oferecem produtos específicos de proteção contra determinadas modalidades de fraude.
A existência de cobertura, entretanto, depende das condições do produto contratado. Por isso, o consumidor precisa verificar as regras do seguro e informar a instituição sobre o golpe assim que identificar a fraude.
Como evitar esse tipo de golpe?
A principal recomendação é não realizar operações financeiras a partir de solicitações inesperadas recebidas por telefone, aplicativos de mensagens ou redes sociais.
Antes de fazer um Pix, o consumidor deve conferir o destinatário, o valor e os dados apresentados na tela de confirmação.
Também é importante evitar fornecer senhas, códigos de autenticação e dados do cartão para terceiros.
Se houver dúvida sobre uma solicitação, o ideal é interromper o contato e procurar o banco pelos canais oficiais.
O consumidor também deve acompanhar a movimentação da conta e da fatura do cartão. Uma cobrança desconhecida identificada rapidamente permite iniciar a contestação sem demora.
O que fazer imediatamente
Quem identificar um Pix feito com o limite do cartão de crédito e não reconhecer a operação deve entrar em contato com a instituição financeira o quanto antes.
A orientação é solicitar a contestação da transação, verificar o acionamento do MED, comunicar a administradora do cartão, registrar um Boletim de Ocorrência e guardar comprovantes e protocolos.
A recuperação dos valores não é automática. A análise depende das circunstâncias da fraude e dos procedimentos adotados pelas instituições financeiras.
Por isso, quanto antes o consumidor comunicar o golpe, mais rapidamente os bancos poderão iniciar a análise da operação.
Fonte: Diário do Pará



