
As vendas de tadalafila cresceram de forma acelerada no Brasil na última década. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que o número de caixas comercializadas passou de 3,2 milhões em 2015 para 74,9 milhões em 2025, um avanço de aproximadamente 2.240%.
O aumento ocorre em meio à facilidade de acesso ao medicamento nas farmácias e ao crescimento do uso recreativo entre homens jovens, cenário que preocupa especialistas em urologia.
Originalmente indicada para tratar a disfunção erétil, a tadalafila também possui indicação para hipertensão arterial pulmonar e para sintomas urinários relacionados ao aumento benigno da próstata. Apesar disso, médicos observam um aumento do consumo sem finalidade terapêutica, principalmente entre homens mais jovens que utilizam o medicamento para melhorar o desempenho sexual.

Especialistas alertam para dependência psicológica
Segundo Gustavo Marquesine Paul, do Departamento de Andrologia, Reprodução e Medicina Sexual da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a tadalafila atua bloqueando a enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5), responsável por degradar substâncias envolvidas no mecanismo fisiológico da ereção.
Embora o medicamento não provoque dependência química, o especialista afirma que ele pode favorecer uma dependência psicológica.
“A tadalafila não causa dependência química, mas pode favorecer uma dependência psicológica. Esses homens passam a acreditar que só conseguirão ter um bom desempenho sexual se estiverem usando o medicamento”, explica Gustavo Marquesine Paul.
O urologista também chama atenção para a falsa sensação de segurança, que pode levar algumas pessoas a utilizarem doses superiores às recomendadas.
“Outro problema é a falsa sensação de segurança, que leva algumas pessoas a utilizarem doses maiores do que as recomendadas. Por isso, a principal orientação é nunca usar nenhuma medicação sem a prescrição de um médico especialista no assunto”, alerta.
Além do uso sem indicação médica, especialistas destacam os riscos da associação da tadalafila com outras substâncias. O medicamento potencializa o efeito de redução da pressão arterial quando ingerido junto com álcool. O problema pode se tornar ainda mais grave quando ocorre a combinação com energéticos, estimulantes, anabolizantes, drogas recreativas ou suplementos de procedência desconhecida.


Rodrigo Wilson Andrade, do Hospital Albert Sabin, afirma que essas misturas aumentam a imprevisibilidade dos efeitos.
“Muitas pessoas não sabem exatamente o que estão consumindo, o que torna os efeitos imprevisíveis”, afirma.
Pacientes que utilizam nitratos para tratar doenças cardíacas enfrentam um risco ainda maior, já que a combinação com tadalafila pode provocar quedas acentuadas da pressão arterial. Outro efeito adverso citado pelos especialistas é o priapismo, caracterizado por uma ereção com duração superior a quatro horas, situação que exige atendimento médico imediato.
Redes sociais e academias impulsionam o consumo
Especialistas também associam a popularização da tadalafila à presença do medicamento nas redes sociais e nas academias. Segundo Gustavo Marquesine Paul, influenciadores, profissionais e usuários contribuíram para normalizar o uso da substância como se fosse um suplemento voltado ao desempenho.
“Influenciadores, profissionais e até os próprios usuários tiveram papel decisivo na normalização do uso desse remédio como se fosse um suplemento de desempenho”, afirma.
Os especialistas acrescentam que conteúdos pornográficos também influenciam expectativas irreais sobre desempenho sexual.
Nas academias, a tadalafila passou a ser relacionada ao chamado pump muscular, efeito visual provocado pela vasodilatação.
Fonte: Diário do Pará



