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Homem invade igreja e dá voadora em Nossa Senhora do século XVIII e acaba preso

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Um homem de 20 anos foi preso em flagrante após invadir uma igreja, dar uma voadora em uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e fazer declarações ofensivas à religião católica, na noite de quarta-feira (7), em Resende Costa, na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais. O ataque ocorreu justamente no dia dedicado à santa e provocou danos a uma peça religiosa do século XVIII, recentemente restaurada e reconhecida como patrimônio cultural do município.

Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), o suspeito entrou na Igreja de Nossa Senhora do Rosário pela porta da sacristia, quando os responsáveis pelo templo encerravam as atividades religiosas. Ele correu em direção ao salão principal e atingiu a imagem com um chute, fazendo com que a peça caísse do andor utilizado nas festividades.

Além da escultura, um par de castiçais e parte da ornamentação religiosa foram danificados. Fiéis que estavam nas proximidades conseguiram conter o homem em uma via pública até a chegada dos policiais.

Durante a ação, conforme relatos de testemunhas registrados pela PM, o suspeito teria gritado frases como “Essa imagem é de Satanás”, “Vocês não são de Deus” e “Isso é um templo do capeta”. Ele também teria afirmado: “Deus me pediu para acabar com essa palhaçada dessa corja”.

Tentativa de ataque em outra igreja

As investigações iniciais revelaram que o homem havia se envolvido em outro episódio relacionado a uma igreja no mesmo dia.

Horas antes da invasão, ele esteve na Igreja de Nossa Senhora Aparecida, onde fiéis participavam de uma novena em homenagem à santa. Segundo a Polícia Militar, o suspeito tentou entrar no templo e se aproximar da imagem religiosa, mas foi impedido por pessoas presentes.

Posteriormente, durante a ocorrência policial, teria declarado que não conseguiu danificar a segunda imagem porque encontrou a igreja fechada quando retornou ao local.

Os policiais também identificaram outros episódios envolvendo o rapaz naquela quarta-feira. Ele havia entrado sem autorização em uma residência e se envolvido em uma discussão relacionada à negociação de uma motocicleta, que terminou em agressões físicas contra outro homem.

Imagem tem quase três séculos

A escultura de Nossa Senhora do Rosário atingida pelo suspeito é uma peça do século XVIII e integra o inventário do patrimônio cultural de Resende Costa.

O objeto havia passado recentemente por um processo de restauração, destinado à preservação de suas características históricas e religiosas.

O ataque provocou preocupação entre os fiéis não apenas pelo significado espiritual da imagem, mas também pelo valor cultural da peça para o município.

A Polícia Civil realizou perícia no interior da igreja para avaliar os danos e reunir elementos que possam contribuir para a investigação.

Embora a escultura esteja inventariada como patrimônio cultural, essa condição não significa necessariamente que possua tombamento formal, distinção que poderá ser relevante para o enquadramento jurídico dos danos.

Polícia confirma prisão

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou, na quinta-feira (8), a prisão em flagrante do suspeito por intolerância religiosa. O caso também envolve a apuração dos danos causados ao patrimônio cultural.

O homem foi conduzido à delegacia depois de ser contido pelos fiéis. Segundo a Polícia Militar, a custódia também foi necessária para preservar sua integridade física diante do risco de agressões por pessoas revoltadas com o ataque.

A Polícia Civil informou que houve perícia e que as circunstâncias serão investigadas por meio de inquérito policial.

Até a divulgação das informações oficiais, não havia confirmação de denúncia formal apresentada pelo Ministério Público ou de decisão judicial definitiva sobre o caso.

Diocese repudia ataque

A Diocese de São João del-Rei, responsável pela região onde ocorreu o episódio, divulgou uma nota de repúdio assinada pelo bispo Dom José Eudes Campos do Nascimento.

No comunicado, a instituição classificou o episódio como uma profanação da Igreja e da imagem de Nossa Senhora do Rosário.

A Diocese ressaltou que a Constituição Federal assegura a liberdade religiosa e condenou manifestações de violência e desrespeito contra símbolos de fé.

A instituição também informou que as providências cabíveis estão sendo adotadas pelas autoridades competentes e reafirmou seu compromisso com a tolerância, a paz e a fraternidade.

Vandalismo: ataques a imagens religiosas se repetem pelo Brasil

O ataque à imagem de Nossa Senhora do Rosário, ocorrido na quarta-feira (7), em Resende Costa, Minas Gerais, não é um episódio isolado. Nos últimos anos, igrejas e monumentos religiosos de diferentes regiões do Brasil foram alvos de depredação, com imagens de Nossa Senhora, Jesus Cristo e outros santos destruídas ou danificadas. Entre os casos registrados estão:

Paraná, outubro de 2022: a Igreja Matriz de São Mateus do Sul foi invadida e teve quase 30 imagens religiosas destruídas, incluindo representações de Nossa Senhora, Jesus Cristo e outros santos.
Ceará, outubro de 2022: imagens de Nossa Senhora e Jesus Cristo foram quebradas no Santuário de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, em Quixadá. Um túmulo também foi danificado.
Mato Grosso do Sul, julho de 2023: vândalos invadiram uma igreja em Campo Grande, furtaram quatro imagens de Nossa Senhora Aparecida e quebraram ou incendiaram outras sete.
São Paulo, abril de 2024: uma imagem de Nossa Senhora Aparecida teve a cabeça arrancada no Caminho da Fé, entre Cravinhos e São Simão, rota utilizada por peregrinos.
São Paulo, abril de 2025: um homem de 28 anos destruiu imagens de santos em uma igreja no Itaim Paulista, na capital. Ele foi identificado pela polícia e admitiu a autoria.
Paraná, julho de 2025: um homem invadiu a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Loanda, e destruiu imagens de São João Evangelista e Nossa Senhora das Dores.
Pernambuco, janeiro de 2026: uma mulher de 56 anos foi detida após quebrar uma imagem de Nossa Senhora e agredir um sacristão na Igreja Matriz de Santa Isabel, em Paulista.
Alagoas, agosto de 2026: uma imagem de Nossa Senhora das Graças foi vandalizada na Avenida Amélia Rosa, em Maceió. A comunidade católica repudiou o ataque.

Em setembro de 2026, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar ataques contra imagens religiosas em diferentes regiões do país. A investigação abrange símbolos de distintas tradições religiosas.

O que prevê a legislação

A legislação brasileira protege a liberdade de crença, os locais de culto e os símbolos religiosos.

O artigo 208 do Código Penal prevê punição para quem escarnecer publicamente de alguém por motivo de crença, impedir ou perturbar cerimônias religiosas ou vilipendiar publicamente atos e objetos de culto.

A legislação também estabelece punições para condutas discriminatórias motivadas por religião, conforme as circunstâncias e o enquadramento jurídico de cada ocorrência.



Fonte: Diário do Pará

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