
O Vaticano anunciou nesta segunda-feira (5) a publicação de um dos registros mais pessoais deixados pelo papa Francisco. Intitulado “O Diário Particular do Papa Francisco”, o livro será lançado em 24 de novembro de 2026 e reunirá anotações, reflexões, orações e pensamentos escritos por Jorge Mario Bergoglio ao longo de mais de 30 anos.
A obra será publicada pela Libreria Editrice Vaticana, a editora da Santa Sé, em parceria com editoras internacionais. O lançamento simultâneo ocorrerá em cinco idiomas e alcançará 94 países. As edições em espanhol, inglês e português serão publicadas pela Penguin Random House, enquanto a edição italiana ficará a cargo da própria editora do Vaticano.
O material foi escrito entre 20 de dezembro de 1992 e 18 de agosto de 2024. O período inclui momentos importantes da trajetória de Bergoglio, desde sua atuação como bispo na Argentina até os anos em que esteve à frente da Igreja Católica, entre 2013 e 2025.
Galeria | Um retrato diferente de Francisco
O lado mais íntimo de Francisco
Segundo o Vaticano, o diário permite conhecer de maneira mais profunda a personalidade e a vida interior do primeiro papa latino-americano e jesuíta da história.
A publicação reúne registros que mostram não apenas o líder religioso, mas também o homem diante de suas dúvidas, esperanças, orações e dificuldades.
A proposta é justamente apresentar uma dimensão menos conhecida de Francisco. Enquanto seus discursos, entrevistas e documentos pontifícios revelavam sua atuação pública, as páginas do diário registram momentos de reflexão pessoal e espiritual.
O livro foi organizado, apresentado e comentado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé e um dos colaboradores próximos de Francisco.
Publicação póstuma e trajetória de Bergoglio
A obra só poderia ser divulgada depois da morte de Francisco. O papa morreu em 21 de abril de 2025, aos 88 anos, no Vaticano.
O lançamento ocorre cerca de um ano e sete meses depois da morte do pontífice e dá continuidade a uma característica marcante de sua relação com o público: a disposição de compartilhar aspectos pessoais de sua trajetória.
Francisco já havia publicado “Esperança”, sua autobiografia, lançada pouco antes de sua morte. A obra foi apresentada como a primeira autobiografia de um papa publicada enquanto ele ainda estava vivo.
O diário, porém, tem uma característica diferente: não foi concebido originalmente como uma obra destinada ao público. São registros pessoais escritos ao longo de décadas, posteriormente selecionados e contextualizados para publicação.
De Bergoglio ao papa Francisco
Os registros começam em 1992, quando Bergoglio ainda atuava na Argentina. Isso significa que o livro acompanha uma parte significativa de sua transformação de religioso jesuíta em uma das figuras mais conhecidas do mundo.
Francisco foi eleito papa em 13 de março de 2013, tornando-se o primeiro pontífice das Américas e o primeiro jesuíta a ocupar o cargo. Morreu em 21 de abril de 2025, depois de 12 anos à frente da Igreja Católica.
Para o Vaticano, justamente por atravessar diferentes fases da vida de Bergoglio, o diário pode ajudar a compreender como experiências pessoais e espirituais acompanharam suas responsabilidades como sacerdote, bispo, cardeal e papa.
Diários papais: uma tradição na Igreja Católica
A publicação também remete a uma tradição já conhecida dentro da Igreja Católica: a divulgação dos escritos espirituais de papas após sua morte.
Um dos exemplos mais conhecidos é “Diário da Alma”, de São João XXIII.
Segundo a biografia oficial publicada pelo Vaticano, Angelo Giuseppe Roncalli começou a registrar suas notas espirituais ainda aos 14 anos. Esses escritos foram posteriormente reunidos em “Journal of a Soul”, conhecido em português como “Diário da Alma”.
O próprio Francisco citou diversas vezes o diário de João XXIII. Em uma celebração pelos 60 anos do início do Concílio Vaticano II, em 2022, lembrou uma passagem da obra na qual João XXIII refletia sobre sua relação com Jesus e sua vida espiritual.
A semelhança está justamente no caráter pessoal dos registros: em vez de documentos oficiais ou discursos públicos, os diários permitem observar como um papa registrava sua própria caminhada espiritual.
Fonte: Diário do Pará



