
Francisco das Chagas Silva Melo Filho, o Chicão, chega ao Senado após uma virada na reta final da apuração das Eleições 2026 no Pará. O candidato do União Brasil ultrapassou o bolsonarista Delegado Éder Mauro (PL) na reta final da apuração e garantiu a segunda vaga do Estado, ao lado de Helder Barbalho (MDB). Chicão teve pouco mais de 2 milhões de votos.
Aos 65 anos, Chicão encerra a disputa eleitoral com mais de três décadas de atuação na vida pública paraense. Presidente do diretório estadual do União Brasil, ele acumulou passagens pelo Legislativo municipal e estadual, pelo Executivo e pela administração da Assembleia Legislativa do Pará.
A vitória no Senado marca uma nova etapa da trajetória política de Chicão, que agora terá mandato de oito anos no Congresso Nacional.
A trajetória começou em Ananindeua, município onde construiu uma longa relação política com Helder Barbalho. Antes de chegar à Presidência da Alepa, Chicão foi vereador por três mandatos, presidente da Câmara Municipal em três ocasiões, vice-prefeito, deputado estadual e secretário de Estado.
Agora, leva essa experiência para uma candidatura ao Senado com uma agenda que reúne educação profissional, saúde, infraestrutura, meio ambiente, segurança pública, energia elétrica, desenvolvimento econômico e saneamento. A proposta apresentada pelo candidato também dá destaque às características específicas da Amazônia na definição das políticas públicas e na distribuição dos recursos federais.
Do Acre ao Pará
Chicão nasceu em Cruzeiro do Sul, no Acre, em 19 de abril de 1961. Chegou ao Pará em 1975, ainda jovem, e foi no Estado que desenvolveu sua trajetória pessoal, profissional e política.
Servidor público e advogado, também iniciou o curso de Medicina, mas posteriormente optou pelo Direito. É mestre em Direitos Fundamentais pela Universidade da Amazônia (Unama) e cursa doutorado em Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha, no programa Estado de Direito e Governança Global.
É casado com Maria Inês Melo, pai de quatro filhos e avô de oito netos.
A entrada na política aconteceu em Ananindeua
A primeira eleição de Chicão ocorreu em 1992, quando foi eleito vereador de Ananindeua. Ele assumiu o mandato no ano seguinte e permaneceu no Legislativo municipal por três mandatos consecutivos.
Durante esse período, presidiu a Câmara Municipal de Ananindeua três vezes. A atuação no Legislativo municipal foi também o ponto de partida de uma parceria política que atravessaria diferentes momentos da política paraense.
Em 2004, Chicão integrou como candidato a vice-prefeito a chapa encabeçada por Helder Barbalho. A dupla venceu a eleição e assumiu a Prefeitura de Ananindeua em 2005.
A experiência no Executivo municipal antecedeu a chegada à Assembleia Legislativa.
Da vice-prefeitura à Assembleia Legislativa
Em 2006, Chicão foi eleito pela primeira vez deputado estadual. O mandato começou em 2007 e foi seguido por novas eleições para a Assembleia Legislativa do Pará.
A carreira também passou pelo Executivo estadual. Chicão comandou a Secretaria de Estado de Obras Públicas e, posteriormente, a Secretaria de Estado de Transportes.
As duas experiências ampliaram sua atuação em áreas diretamente relacionadas à infraestrutura, mobilidade e integração territorial. O contato com diferentes regiões do Pará passou a fazer parte da trajetória que, anos depois, seria levada para a campanha ao Senado.
Em 2019, quando Helder Barbalho assumiu o Governo do Pará, Chicão passou a exercer uma função diferente na relação entre Executivo e Legislativo.
Ele se tornou líder do Governo na Assembleia Legislativa, cargo que ocupou em 2019 e 2020. A função envolvia a interlocução entre os dois Poderes e a articulação das matérias de interesse do Executivo dentro do Parlamento.
Durante a pandemia de Covid-19, participou da articulação das medidas emergenciais adotadas pelo Estado, segundo o material de campanha.
A experiência como líder antecedeu uma das posições de maior destaque de sua carreira política.
Três mandatos na Presidência da Alepa
Em 1º de fevereiro de 2021, Chicão assumiu pela primeira vez a Presidência da Assembleia Legislativa do Pará.
A permanência no comando da Casa foi renovada para o biênio 2023–2025 e novamente para 2025–2027. Com isso, chegou ao terceiro mandato consecutivo como presidente da Alepa.
À frente do Legislativo, passou a defender uma atuação com maior aproximação entre a Assembleia e os municípios paraenses.
Uma das iniciativas destacadas no material é a Alepa Itinerante, que levou atividades do Parlamento para diferentes regiões do Estado. A proposta buscou aproximar a Assembleia dos municípios e ampliar o contato com demandas apresentadas fora da Região Metropolitana de Belém.
Outro projeto citado é a Faculdade da Alepa, voltada à formação e qualificação de servidores e agentes públicos.
Durante o período na Presidência, Chicão também assumiu interinamente o Governo do Pará em ocasiões de ausência simultânea do governador e do vice-governador.
Uma candidatura construída a partir da experiência no Estado
A disputa pelo Senado representa uma mudança de posição, mas não uma ruptura com a trajetória construída até aqui.
Chicão chega à eleição depois de ter ocupado cargos em diferentes níveis da administração pública. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal, vice-prefeito, deputado estadual, secretário de Estado, líder do governo e presidente da Assembleia Legislativa.
Na campanha, apresenta essa experiência como argumento para defender uma atuação voltada aos interesses dos municípios e das diferentes regiões do Pará.
Entre os objetivos declarados estão a busca por recursos federais, o acompanhamento de projetos estratégicos e uma maior participação do Estado nas discussões nacionais que envolvem Amazônia, infraestrutura, energia, mineração, meio ambiente e desenvolvimento econômico.
Educação profissional como prioridade
Na área de educação, Chicão coloca a formação profissional entre as principais propostas.
A ideia é ampliar a oferta de cursos técnicos integrados ao ensino médio e relacionar a formação às características econômicas de cada região. A proposta não trata o ensino técnico e a universidade como caminhos concorrentes.
O candidato defende ainda mais conectividade e tecnologia nas escolas, sobretudo em áreas rurais e distantes dos grandes centros.
Outro ponto é facilitar o acesso ao primeiro emprego para jovens que concluírem cursos de educação profissional pública.
Uma das frases usadas para sintetizar a proposta é: “com o diploma em uma mão e uma profissão na outra”.
No Senado, a intenção declarada é buscar recursos federais permanentes para educação profissional, conectividade e tecnologia nas escolas da Amazônia. O material também resume a proposta com outra frase: “oportunidade não pode depender do CEP”.
Saúde e o custo de atender na Amazônia
Na saúde, a campanha coloca a interiorização do atendimento entre as prioridades.
A justificativa apresentada é a dimensão territorial do Pará. Grandes distâncias e população espalhada por áreas rurais e ribeirinhas aumentam os custos e dificultam o acesso a consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados.
Chicão defende o fortalecimento do chamado Fator Amazônico no financiamento da saúde. A proposta é considerar, nos repasses federais do SUS, custos adicionais provocados pelas distâncias, pela dispersão populacional e pelas dificuldades de deslocamento.
Também pretende buscar recursos para reduzir filas, fortalecer hospitais regionais e policlínicas e ampliar a oferta de atendimento de alta complexidade no interior.
A telemedicina aparece como outra ferramenta para ampliar o acesso aos serviços de saúde.
A síntese da proposta é direta: “a saúde precisa chegar mais perto das pessoas”.
Infraestrutura e integração do Pará
Para Chicão, a infraestrutura não deve ser tratada apenas como uma questão econômica. Estradas, ferrovias, hidrovias, portos e pontes também influenciam o acesso a serviços públicos e a integração entre os municípios.
Entre os projetos citados na agenda está o Pedral do Lourenço, relacionado à navegabilidade do Rio Tocantins, além da Ferrogrão.
A proposta para o setor é acompanhar a execução dos investimentos federais destinados ao Pará e atuar na articulação para destravar projetos considerados estratégicos.
No caso da Ferrogrão, o material de campanha associa a defesa do empreendimento à necessidade de segurança jurídica, responsabilidade ambiental e respeito às comunidades diretamente atingidas.
A visão apresentada é a de uma infraestrutura multimodal, com integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e portos. O objetivo é aproveitar a localização do Pará para ampliar sua participação na logística do Arco Norte.
Meio ambiente e bioeconomia
Na pauta ambiental, Chicão afirma que o Pará não precisa escolher entre preservação e desenvolvimento.
A proposta combina fiscalização e combate aos crimes ambientais com estímulo a atividades econômicas sustentáveis. Entre os setores citados estão bioeconomia, agricultura familiar, cooperativas e cadeias produtivas ligadas aos produtos da floresta.
A regularização fundiária também aparece como uma das prioridades. Segundo a proposta, ela pode contribuir tanto para a segurança jurídica de quem produz dentro da lei quanto para a proteção ambiental e a redução dos conflitos pela terra.
Outro eixo é o mercado de carbono. Chicão defende a participação de pequenos produtores, comunidades tradicionais e populações que preservam a floresta nos benefícios econômicos associados à conservação.
A campanha também propõe ampliar recursos nacionais e internacionais destinados à Amazônia e direcionar o financiamento climático para saneamento, produção sustentável, geração de renda e melhoria da qualidade de vida.
A posição é resumida na frase: “a floresta em pé precisa valer mais do que a floresta derrubada”.
Segurança pública
A proposta para a segurança pública combina reforço das estruturas policiais com ações de prevenção.
Chicão defende mais recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para o Pará e investimentos em inteligência, investigação, perícia, tecnologia e equipamentos.
O candidato também cita o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública, SUSP, como uma das frentes de atuação no Congresso.
O combate à violência contra a mulher aparece entre as prioridades, com defesa de recursos para delegacias especializadas, mecanismos de proteção e integração da rede de atendimento.
Na prevenção, a proposta concentra atenção nos jovens que vivem em áreas vulneráveis. Educação, qualificação profissional, esporte, cultura e oportunidades de trabalho aparecem como instrumentos para reduzir a entrada no crime.
A síntese apresentada pela campanha é: “Segurança se faz com polícia forte e prevenção social.”
Energia elétrica e uma das principais bandeiras da candidatura
O preço da energia elétrica é outra pauta que Chicão pretende levar ao Senado.
A argumentação parte de uma contradição: o Pará possui participação relevante na geração de energia destinada ao país, mas, segundo a proposta, essa condição não se traduz na mesma proporção em benefícios para os consumidores paraenses.
O candidato pretende participar das discussões nacionais sobre o setor elétrico e defender mudanças que reduzam o peso da conta de luz para as famílias, especialmente aquelas de menor renda.
A pauta também envolve a defesa de um tratamento considerado mais justo para os estados produtores e a transformação das riquezas geradas no território em benefícios para a população local.
Emprego, industrialização e valor agregado
Na economia, a campanha defende uma mudança no modelo de desenvolvimento do Pará.
O Estado possui forte participação na mineração, energia, agropecuária e exportação de matérias-primas. Para Chicão, o desafio seguinte é ampliar a industrialização e fazer com que uma parcela maior dessas riquezas seja transformada dentro do próprio território.
A proposta é resumida em três verbos: “Produzir aqui. Agregar valor aqui. Gerar emprego aqui.”
No Senado, o candidato afirma que pretende acompanhar a implementação da reforma tributária e defender recursos para infraestrutura, polos industriais, inovação e tecnologia.
Também propõe vincular incentivos econômicos a contrapartidas de emprego, renda e desenvolvimento. Nesse ponto, utiliza a frase: “incentivo fiscal não é cheque em branco”.
Saneamento e desigualdade regional
O saneamento também integra a agenda apresentada para o Senado.
A proposta inclui investimentos em abastecimento de água, esgotamento sanitário e macrodrenagem. Mais uma vez, o argumento central está relacionado às particularidades amazônicas.
As distâncias, a logística complexa e a dispersão das comunidades elevam os custos das obras. Por isso, Chicão defende que os mecanismos nacionais de financiamento considerem essas características.
A intenção declarada é ampliar o acesso aos programas federais para moradores do interior, áreas rurais, comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas.
O que Chicão pretende levar para Brasília
A campanha organiza as propostas a partir de uma ideia central: as políticas públicas nacionais precisam considerar a realidade amazônica.
Na avaliação apresentada pelo candidato, as grandes distâncias, a população dispersa e as dificuldades de deslocamento fazem com que serviços como saúde, educação, saneamento, infraestrutura e conectividade tenham custos diferentes dos observados em outras regiões do país.
Por isso, entre as prioridades estão mecanismos que levem essas características em conta na distribuição dos recursos federais.
A agenda também inclui fortalecimento dos municípios, regularização fundiária, geração de emprego, qualificação profissional, segurança alimentar, redução do peso da energia elétrica e atração de investimentos.
Outro eixo é ampliar a participação do Pará nas decisões nacionais relacionadas à energia, mineração, logística, meio ambiente e desenvolvimento da Amazônia.
Uma parceria política de mais de duas décadas
A candidatura de Chicão também mantém a conexão com uma relação política construída há mais de 20 anos.
A parceria com Helder Barbalho começou em Ananindeua, quando Chicão foi vice-prefeito na chapa vencedora de 2004. Mais tarde, os dois voltaram a trabalhar juntos no governo estadual.
Primeiro, Chicão ocupou a liderança do governo na Alepa. Depois, passou a comandar o Legislativo paraense.
Agora, em 2026, a relação chega a uma nova etapa com a disputa eleitoral. Chicão tenta uma vaga no Senado e apresenta como diferencial a experiência acumulada em três décadas de atuação política e administrativa no Pará.
A definição sobre a eleição dependerá dos votos registrados nas urnas e da apuração oficial da Justiça Eleitoral.
Fonte: Diário do Pará



