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Eleições 2026: Não haverá pesquisa nacional de boca de urna

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O primeiro turno das Eleições 2026 não terá pesquisa nacional de boca de urna. Pelo segundo pleito consecutivo, os principais institutos deixaram de realizar o levantamento que, durante décadas, alimentou a expectativa dos eleitores enquanto os votos eram contados.

A explicação está na combinação entre o elevado custo da pesquisa, a rapidez da apuração eletrônica e a pequena janela disponível para a divulgação. As entrevistas são feitas com eleitores logo depois que eles deixam os locais de votação, mas os resultados obtidos neste domingo somente podem ser divulgados a partir das 17h, pelo horário de Brasília, quando a votação é encerrada em todo o país.

Tribunal Superior Eleitoral

O problema é que, no mesmo horário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já começa a divulgar os resultados oficiais. Assim que a votação termina, as urnas emitem os boletins com a quantidade de votos recebida por cada candidato. Esses dados são transmitidos à Justiça Eleitoral e incorporados progressivamente à totalização.

Na prática, enquanto os institutos ainda estariam reunindo, conferindo e calculando as entrevistas, o eleitor já poderia acompanhar votos efetivamente depositados nas urnas. A boca de urna, portanto, correria o risco de nascer velha — um luxo caro demais para durar apenas alguns minutos.

Operação cara e resultado de vida curta

Uma pesquisa nacional de boca de urna exige milhares de entrevistas, equipes distribuídas por diferentes cidades, supervisão do trabalho de campo e uma estrutura capaz de receber e processar as informações com rapidez. Tudo isso representa um custo elevado.

Em 2022, quando também não houve levantamento nacional desse tipo, representantes dos institutos explicaram que a primeira parcial divulgada pelo TSE poderia reunir uma quantidade de votos superior à amostra obtida na saída dos locais de votação. O resultado oficial teria, assim, mais abrangência e chegaria praticamente no mesmo momento da projeção. noticias.uol.com.br

A adoção do horário unificado de votação, em vigor desde 2022, reduziu ainda mais a utilidade da pesquisa. Todas as seções eleitorais funcionam das 8h às 17h, considerando o horário de Brasília, inclusive nos estados localizados em outros fusos. Com isso, a Justiça Eleitoral não precisa esperar o fechamento das urnas no Acre ou em parte da Região Norte para iniciar a divulgação nacional.

No Pará, onde comunidades ribeirinhas, aldeias e localidades distantes dependem de barcos, aeronaves ou transmissão por satélite, algumas urnas podem demorar mais a entrar na totalização. Isso, porém, não impede que os primeiros resultados do estado e do país sejam conhecidos logo depois das 17h.

Levantamento já vinha perdendo espaço

A pesquisa de boca de urna começou a perder importância antes mesmo da unificação do horário eleitoral. O Datafolha, por exemplo, não realiza levantamento nacional desse tipo para a Presidência da República desde 1998.

Em 2018, o então Ibope foi o único grande instituto a divulgar uma boca de urna nacional no segundo turno. Foram entrevistados 30 mil eleitores. A projeção indicou Jair Bolsonaro com 56% dos votos válidos e Fernando Haddad com 44%. O resultado oficial foi de 55,13% contra 44,87%.

Apesar da proximidade entre a projeção e o resultado, a velocidade alcançada pela Justiça Eleitoral nos pleitos seguintes reduziu ainda mais o intervalo em que uma boca de urna poderia ser considerada novidade.

Pesquisa não é crime de boca de urna

A pesquisa de boca de urna não deve ser confundida com o crime eleitoral de mesmo nome.

O levantamento é uma consulta estatística feita com pessoas que já votaram, sem tentativa de interferir em suas escolhas. Sua realização é permitida, embora os resultados coletados no dia da eleição somente possam ser divulgados depois que todos os eleitores tiverem encerrado a votação.

Já a propaganda de boca de urna consiste em abordar eleitores, pedir votos, distribuir santinhos ou tentar influenciar a decisão de quem ainda não votou. Essa conduta é proibida no dia da eleição e pode resultar em prisão e multa. tse.jus.br

Sem a tradicional projeção, caberá aos números oficiais do TSE cumprir diretamente o papel de revelar as escolhas dos eleitores. Os resultados começam a ser atualizados em tempo real para presidente, governador, senador e deputados. A velha espera pela boca de urna foi substituída por algo mais simples: a própria apuração.

Fonte: Diário do Pará

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