
Quem viveu a Brasília dos anos 1990 provavelmente se lembra de uma figura que chamava atenção não apenas pelo discurso sobre educação, mas também pelo visual. Esther Pillar Grossi, professora, pesquisadora e ex-deputada federal, ficou conhecida na capital federal pelos cabelos coloridos e pelas roupas marcantes, além da atuação em projetos de alfabetização.
Hoje, aos 90 anos, Esther continua ligada à educação e mantém uma trajetória ativa. Em junho de 2026, ela recebeu a Medalha da 56ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em reconhecimento a mais de 50 anos de dedicação à educação, à alfabetização e à inclusão social.
A mulher dos cabelos coloridos em Brasília
A imagem de Esther com os cabelos multicoloridos acabou se tornando uma de suas marcas. Durante sua atuação em Brasília, ela chamou atenção pelo estilo pouco convencional para uma educadora e política da época.
A relação com a capital federal foi especialmente importante entre 1995 e 1998, quando Esther coordenou o projeto Escola Candanga e participou do projeto Viva Brasília, envolvendo milhares de estudantes e professores. Segundo o Sindicato dos Professores do Distrito Federal, o trabalho chegou a registrar 90% de alfabetização entre os participantes do projeto Viva Brasília.
A aparência também virou parte da personagem pública. Em 2016, o jornal Zero Hora destacou que Esther mantinha o característico visual de cabelos e roupas coloridos enquanto continuava sendo procurada por gestores e educadores interessados em alfabetização.
Uma carreira dedicada à alfabetização
Nascida em Santa Maria (RS), Esther formou-se em Matemática e construiu uma carreira acadêmica que incluiu estudos na Europa e contato com pesquisadores como Jean Piaget e Gérard Vergnaud. Ela fundou o GEEMPA (Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação), instituição criada em 1970 e dedicada a pesquisas e projetos de educação.
Esther também foi secretária municipal de Educação de Porto Alegre entre 1989 e 1992 e exerceu dois mandatos como deputada federal pelo Rio Grande do Sul, entre 1995 e 2003, segundo registros da Câmara dos Deputados.
E hoje?
Mesmo depois de deixar a política institucional, Esther permaneceu envolvida com educação, pesquisas e formação de professores. Em 2021, por exemplo, ainda comandava atividades do GEEMPA e ministrava cursos sobre aprendizagem.
Em abril de 2026, ao completar 90 anos, Esther participou de uma aula magna em Porto Alegre. O jornalista Juremir Machado da Silva descreveu a educadora como uma figura ainda ativa e criativa, destacando sua trajetória na educação e justamente os cabelos coloridos que se tornaram uma de suas marcas públicas.
Aos 90, portanto, Esther Grossi continua distante da imagem de uma aposentada convencional. Entre livros, aulas, pesquisas e homenagens, a educadora mantém a atuação na área que marcou toda a sua vida: fazer da educação uma ferramenta de transformação social.
Fonte: Diário do Pará



