
Na contagem regressiva para o início da quadra nazarena, uma multidão de católicos lotou o Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, da tarde de sábado (26) até o amanhecer deste domingo (27), para participar da vigília de encerramento dos 40 dias com São Miguel.
Realizado pela primeira vez em Belém e comandado por Frei Gilson, o evento conseguiu lotar não apenas as arquibancadas, mas também todo o gramado. O público reuniu pessoas de todas as idades e de diferentes lugares, inclusive do exterior.
Em um dos momentos da programação, Frei Gilson chamou a atenção para a presença de pessoas com uma bandeira do Paraguai no estádio. “Nossa oração tem sido acompanhada por gente de vários países. E não é só brasileiro no exterior, mas gente de outras línguas, México, Espanha…”, destacou.
O frade franciscano reuniu pelo menos 35 mil pessoas no Mangueirão. A programação também foi transmitida ao vivo, em TV aberta, pelas redes Nazaré e Vida, para todo o Brasil, além do YouTube, com picos de 100 mil espectadores no canal do religioso e de 20 mil no da TV Nazaré.
Em uníssono, a multidão alternava momentos de louvor e adoração com períodos de silêncio absoluto para acompanhar as pregações.
Com terços nas mãos e camisas personalizadas com estampas de São Miguel Arcanjo e outras imagens religiosas, os fiéis desafiaram o cansaço de tantas horas de programação. O público cantou junto com os artistas músicas que traziam versos como: “Quero que sejas o centro, Senhor, da minha vida”.
Criticado por muitos por sua interpretação ortodoxa dos ensinamentos bíblicos, Frei Gilson reafirmou sua capacidade de mobilização entre os católicos. Com questionamentos como “A sua vida está melhor agora com Jesus ou você prefere a sua vida quando era sem Jesus?”, o frade era recebido com aplausos e manifestações de compromisso dos fiéis em seguir os preceitos cristãos, ou ao menos se esforçar para isso.
Com o apoio da Arquidiocese de Belém, o evento contou com a participação do arcebispo metropolitano, dom Júlio Akamine, do bispo auxiliar, dom Paulo Andreoli, e do arcebispo emérito, dom Alberto Taveira.
A presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré foi um dos pontos altos da programação. A cada menção à presença da Santinha, o público respondia com vivas, em manifestações semelhantes às das romarias do Círio de Nazaré.
Com ingressos esgotados dias antes, o evento evidenciou a capacidade de mobilização de Frei Gilson, um fenômeno da Igreja Católica com características diferentes das de outros religiosos populares, como os padres Fábio de Melo e Marcelo Rossi.
Sem conceder entrevistas nem participar de programas populares da televisão aberta, Frei Gilson concentra sua atuação nos canais digitais. No YouTube, suas pregações avançam pela madrugada e são acompanhadas por milhares de internautas, muitos deles em busca de conforto espiritual em meio às preocupações e dificuldades da vida adulta.
O fenômeno, de dimensões religiosas e sociais, também pode ser observado no contexto de um Brasil marcado por divisões políticas, dependência das redes sociais, vícios, doenças e dificuldades financeiras. Para muitos fiéis, a vigília representa uma busca por amparo espiritual e um pedido de socorro aos céus, sob a intercessão de São Miguel Arcanjo.
Fonte: Diário do Pará



