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Se você ama o cheiro de gasolina, a ciência tem uma explicação para isso

Em muitas pessoas, o cheiro da gasolina ativa liberação de dopamina, substância ligada ao prazer. Foto: Divulgação.

Em muitas pessoas, o cheiro da gasolina ativa liberação de dopamina, substância ligada ao prazer. Foto: Divulgação.

Quem nunca ouviu alguém dizer que gosta do cheiro da gasolina? Embora possa parecer um hábito curioso, a ciência mostra que essa preferência tem explicações biológicas e psicológicas. O aroma do combustível pode despertar lembranças marcantes e até provocar uma breve sensação de bem-estar, mas isso não significa que seja seguro inalá-lo.

Por que o cheiro de gasolina conquista tanta gente?

A primeira explicação para o cheiro ser o favorito de tantos tem a ver com a ligação do aroma com memórias afetivas e nostálgicas. Segundo o UOL, esse efeito é conhecido como “fenômeno Proust”, em referência ao escritor francês Marcel Proust, que descreveu como o aroma de um alimento foi capaz de despertar lembranças intensas de sua infância.

Tal fenômeno foi comprovado na prática por meio de uma experiência realizada em 1987 pelo National Geographic. Dos cerca de 1,5 milhão de leitores que participaram e cheiraram cartões com “raspadinha” de seis odores diferentes, 55% na faixa dos 20 anos afirmaram ter pelo menos uma memória vívida sugerida por um dos cheiros.

Mas por que isso acontece? Bom, os sentidos do corpo humano são capazes de guardar memórias ao longo da vida. A audição, por exemplo, é a responsável por recordar de uma música alegre, já o paladar guarda o sabor de uma comida muito especial.

No entanto, nesse contexto, o olfato é o sentido mais poderoso do organismo. Isso porque antes de levar os estímulos para as partes do cérebro responsáveis pelas emoções e pela memória, os neurônios olfativos fazem um caminho diferente, passando por áreas mais especificamente ligadas ao olfato.

Sensação de prazer vem de um composto químico da gasolina

Outra hipótese envolve o benzeno, substância presente na gasolina. Mesmo representando uma pequena parte do combustível, o composto evapora facilmente e pode estimular o sistema mesolímbico, região do cérebro relacionada à sensação de recompensa. Esse processo favorece a liberação de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e à motivação, provocando uma leve sensação de euforia em algumas pessoas.

Inalar o cheiro da gasolina não faz bem

O benzeno, apesar de ser conhecido pelo seu poder entorpecente, pode causar problemas à saúde. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o benzeno é altamente tóxico e cancerígeno e, apesar de não haver limite seguro de exposição, pessoas que trabalham diretamente em contato com o composto correm mais risco.

Por esse motivo, não é seguro inalá-lo por muitas horas. A exposição frequente ou prolongada pode provocar sintomas como dificuldade para respirar, taquicardia, sonolência, tontura, dor de cabeça, náuseas e até perda de consciência ou morte, além de efeitos crônicos, como anemia, diminuição das células de defesa do organismo e sangramento excessivo (no nariz, por exemplo) e problemas de pele.

*Com informações do UOL

  • Estagiária sob supervisão de Clayton Matos

Fonte: Diário do Pará

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