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Canetas emagrecedoras para adolescentes: regras

Saxenda e Wegovy podem ser prescritos para adolescentes com obesidade a partir dos 12 anos, desde que o tratamento inclua alimentação saudável, atividade física e acompanhamento médico. Foto: Magnific/Freepik

Adolescentes com 12 anos ou mais que apresentam obesidade podem receber prescrição de canetas emagrecedoras aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, a autorização contempla o Saxenda (liraglutida) e o Wegovy (semaglutida), medicamentos que devem ser utilizados como parte de um tratamento que também inclui alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico.

A autorização chega em um cenário de avanço da obesidade infantil e adolescente. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 mostram que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos vivem com sobrepeso ou obesidade no mundo, o equivalente a 419 milhões de pessoas, ou uma em cada cinco nessa faixa etária.

Quem pode usar as canetas emagrecedoras

A indicação não vale para todos os adolescentes com excesso de peso. Para receber a prescrição, é necessário apresentar obesidade, com Índice de Massa Corporal (IMC) equivalente a 30 kg/m² para adultos, conforme os pontos de corte internacionais. No caso do Saxenda, também é exigido peso corporal superior a 60 kg.

Além disso, a Anvisa determina que o tratamento inclua orientação nutricional, prática regular de atividade física e acompanhamento médico. Os medicamentos não devem ser utilizados de forma isolada.

A obesidade em crianças e adolescentes aumenta o risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e síndrome metabólica, reforçando a importância do diagnóstico e do tratamento precoces. Foto: Reprodução

Obesidade entre crianças e adolescentes cresce no Brasil

O levantamento mostra que 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos vivem com sobrepeso ou obesidade no Brasil. Entre os adolescentes e jovens de 10 a 19 anos, esse número sobe para 9,9 milhões. Juntas, as duas faixas etárias somam 16,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos com excesso de peso.

Os impactos sobre a saúde já aparecem em milhões de diagnósticos. Em 2025, quase 1,4 milhão de crianças e adolescentes apresentaram hipertensão atribuída ao IMC. Outros 572 mil foram diagnosticados com hiperglicemia relacionada ao IMC, enquanto 1,8 milhão desenvolveram triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC. Além disso, 4 milhões conviviam com doença hepática esteatótica metabólica, caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado.

Milhões de crianças e adolescentes convivem com sobrepeso ou obesidade. Além das mudanças de hábitos, alguns casos podem exigir acompanhamento médico e tratamento específico. Foto: Reprodução

As projeções para 2040 apontam crescimento desses diagnósticos no país. A estimativa é de mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes com hipertensão atribuída ao IMC, 635 mil com hiperglicemia atribuída ao IMC, 2,1 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC e 4,6 milhões com doença hepática esteatótica metabólica.

Mounjaro e Ozempic têm indicação diferente

Além de Saxenda e Wegovy, a Anvisa ampliou, em abril de 2026, a indicação terapêutica do Mounjaro (tirzepatida) para pacientes pediátricos a partir dos 10 anos com diabetes mellitus tipo 2. A autorização, porém, vale exclusivamente para o tratamento da diabetes.

O mesmo ocorre com o Ozempic. Embora contenha semaglutida, o medicamento continua indicado apenas para o tratamento do diabetes tipo 2 e não possui aprovação específica para obesidade em crianças ou adolescentes.

Medicamentos não substituem mudanças de hábitos

O endocrinologista pediátrico Miguel Liberato destaca que as canetas emagrecedoras funcionam como complemento do tratamento e não substituem mudanças no estilo de vida.

“É importante ressaltar que esses medicamentos são adjuvantes — ou seja, funcionam junto com uma dieta balanceada e exercícios, e não substituem hábitos saudáveis”, afirma.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adolescentes pratiquem pelo menos uma hora diária de atividade física moderada ou vigorosa. Segundo o especialista, a combinação entre alimentação equilibrada, exercícios e medicamentos, quando indicados, constitui a base do tratamento da obesidade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adolescentes pratiquem pelo menos uma hora por dia de atividade física moderada ou vigorosa para promover a saúde e auxiliar no controle do peso. Foto: Magnific/Freepik

Miguel Liberato ressalta ainda que as canetas não representam a primeira estratégia terapêutica.

“As canetas emagrecedoras chegam em um segundo momento. É fundamental a orientação alimentar individualizada. O profissional tem que entender que quando se cria dietas restritivas e cheias de proibições, o resultado tende a ser bem pior”, destaca.

Segundo o especialista, o objetivo é ajudar crianças e adolescentes a construir uma relação equilibrada com a alimentação.

“As crianças e adolescentes devem achar o equilíbrio com a alimentação saudável e consequentemente menos calórica, mas sem aquela imposição de proibir comidas que gostem, mesmo que doces e gorduras. O importante é o equilíbrio”, completa.

Tratamento exige acompanhamento médico contínuo

O pediatra afirma que o uso das canetas emagrecedoras exige monitoramento constante para acompanhar a resposta ao tratamento e possíveis alterações metabólicas.

“Além disso, é importante avaliar o indivíduo como um todo, monitorar a função tireoidiana, os níveis de cortisol, além do perfil glicêmico, já que a obesidade é um importante fator de risco para o diabetes. Desse modo, os níveis de glicemia e insulina devem ser monitorados de perto”, afirma.

Miguel Liberato lembra que a obesidade na adolescência aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, síndrome metabólica e outras doenças crônicas. Segundo ele, a condição resulta da interação entre fatores genéticos, ambientais e comportamentais.

“A obesidade é causada pela interação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Filhos de pais com obesidade e indivíduos de classe socioeconômica mais desfavorecida têm maior risco de desenvolver a condição”, conclui.

Com a aprovação das canetas emagrecedoras para adolescentes pela Anvisa, o tratamento da obesidade passa a contar com novas alternativas terapêuticas. Ainda assim, os medicamentos devem ser utilizados apenas quando houver indicação médica e sempre como complemento às mudanças de hábitos, que permanecem como o principal pilar do tratamento.

Revise os critérios

O que a Anvisa autorizou e quais são os critérios:

Medicamentos autorizados

💉 Saxenda (liraglutida)

  • Aprovado para adolescentes de 12 a 17 anos com obesidade.

💉 Wegovy (semaglutida)

  • Aprovado para adolescentes a partir dos 12 anos com obesidade.

⚠️ Ozempic (semaglutida)

  • Indicado apenas para diabetes tipo 2 em adultos.
  • Uso para emagrecimento é off-label (fora da bula).

Quem pode receber o tratamento?

📏 Critério de IMC

  • O IMC deve ser calculado e comparado com tabelas internacionais (OMS).
  • O resultado deve equivaler a IMC ≥ 30 kg/m² em adultos, critério que caracteriza obesidade.

⚖️ Critério de peso

  • Peso corporal superior a 60 kg.
  • Exigência válida para Saxenda e também adotada pelo Wegovy na ampliação de uso.

Importante lembrar

  • As canetas são indicadas apenas para adolescentes com obesidade.
  • O tratamento deve ocorrer com acompanhamento médico.
  • Os medicamentos não substituem alimentação saudável e atividade física.

Fonte: Diário do Pará

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