
As unidades de conservação federais do Pará receberam 420.721 visitas em 2025, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O resultado acompanha o crescimento da visitação em todo o país, que bateu novo recorde e ultrapassou 28,5 milhões de visitas em 175 unidades de conservação, superando as 25,5 milhões registradas em 2024.
Para quem busca experiências de ecoturismo e maior contato com a natureza, o Pará reúne diferentes opções de visitação. Entre as 16 unidades de conservação monitoradas no estado, há reservas extrativistas, florestas nacionais e parque nacional que combinam paisagens naturais, biodiversidade e turismo de base comunitária.
Marajó concentra a unidade de conservação mais visitada do Pará
Entre as unidades monitoradas, o principal destaque é a Reserva Extrativista Marinha de Soure, localizada no arquipélago do Marajó. A unidade recebeu o maior número de visitantes do estado e se consolidou como o principal destino entre as áreas federais de conservação abertas ao turismo.
Situada na foz do Rio Amazonas, a reserva integra a maior faixa contínua de manguezais do planeta. Segundo o ICMBio, a área abriga algumas das florestas de mangue mais altas do mundo, além de dunas costeiras, rica fauna e diferentes ecossistemas que atraem visitantes durante todo o ano, especialmente no chamado verão amazônico.
Além da importância turística, a reserva também cumpre a função de conservar os recursos naturais e garantir os meios de vida das populações tradicionais que dependem da atividade extrativista na região.
Resex Marinha de Soure recebeu reconhecimento internacional
Em 2024, a Reserva Extrativista Marinha de Soure tornou-se a primeira unidade de conservação brasileira a integrar a Lista Verde de Áreas Protegidas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). A certificação reconhece áreas protegidas pela qualidade da gestão e pelos resultados alcançados na conservação ambiental.
A seguir, conheça algumas das principais unidades de conservação federais abertas à visitação no Pará.
Resex Marinha de Soure
Localização: Município de Soure, no arquipélago do Marajó.
Como chegar: É possível chegar a Soure por lancha ou barco, com saídas do Terminal Hidroviário de Belém. Há opção de lancha direta para Soure ou de embarcação até o Porto Camará, em Salvaterra, seguida de travessia de balsa ou van.
Área: 29.578,80 hectares
Visitas em 2025: 198.475
Atrativos
A cerca de 80 quilômetros de Belém, a reserva reúne quatro praias bastante procuradas ao longo do ano, principalmente nas férias escolares. A região é influenciada pela foz do Rio Amazonas, pela Baía de Marajó e pelo Oceano Atlântico, fazendo com que as praias sejam banhadas, conforme o período do ano, por águas doces de coloração marrom ou águas salobras esverdeadas.
Além das extensas faixas de areia, destacam-se dunas, manguezais, restingas, campos naturais e canais de maré. A experiência também inclui a gastronomia regional, os saberes tradicionais e a cerâmica marajoara.

Resex Marinha Mestre Lucindo
Localização: Município de Marapanim
Como chegar: O acesso de carro é feito pelas rodovias BR-316, PA-136 e PA-318.
Área: 26.464,88 hectares
Visitas em 2025: 42.568
Atrativos
A Reserva Extrativista Marinha Mestre Lucindo reúne paisagens formadas por baías, furos, dunas, praias e manguezais. Nesse ambiente, as populações tradicionais desenvolvem atividades como pesca artesanal, catação de caranguejo e coleta de mariscos, que fazem parte da economia local.
Entre os principais atrativos estão as praias Dom Pedro, Araticu, Marudá e Crispim, bastante procuradas pelos visitantes. A unidade também homenageia Mestre Lucindo, mestre de carimbó de Marapanim que retratava em suas canções o cotidiano dos pescadores da região.


Resex Marinha de Caeté-Taperaçu
Localização: Município de Bragança
Como chegar: Saindo de Belém em carro, o trajeto dura cerca de 3h10, pelas rodovias BR-316 e PA-242.
Área: 42.489,17 hectares
Visitas em 2025: 7.798
Atrativos
A reserva preserva manguezais, restingas, praias, ilhas costeiras, estuários, igarapés e campos naturais. Esses ecossistemas garantem os recursos utilizados pelas comunidades extrativistas, como o caranguejo-uçá e o turu, molusco retirado do interior de troncos de árvores mortas e presente na gastronomia tradicional da região.
Além das atividades ligadas ao extrativismo, a unidade recebe turistas durante todo o ano. Um dos principais atrativos é a Praia de Ajuruteua, destino bastante procurado no litoral paraense.


Resex Tapajós-Arapiuns
Localização: Municípios de Santarém e Aveiro
Como chegar: É possível chegar a Santarém de avião, barco, ônibus ou carro. A partir da cidade, o acesso à reserva é feito pelo rio Tapajós. O percurso até a comunidade de Vila Franca leva cerca de duas horas de lancha.
Área: 677.513,24 hectares
Visitas em 2025: 4.547
Atrativos
A Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns oferece experiências de turismo de base comunitária em diferentes comunidades. Um dos destaques é a comunidade de Anã, no rio Arapiuns, sócia fundadora da Cooperativa de Turismo e Artesanato do Rio Arapiuns (Turiarte).
Os visitantes podem participar de passeios de barco ou canoa, banhos de rio e igarapé, caminhadas pela floresta e vivências nas comunidades, incluindo o acompanhamento da produção de farinha, artesanato, mel e peixe.
Atualmente, a Turiarte reúne 12 comunidades localizadas na Resex Tapajós-Arapiuns e no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande.
Mais informações: (93) 99221-4782 | www.turiarte.com.br


Resex Maracanã
Localização: Município de Maracanã
Como chegar: O acesso de carro é feito pelas rodovias BR-316 e PA-127.
Área: 30.179,20 hectares
Visitas em 2025: 3.260
Atrativos
Localizada a cerca de 175 quilômetros de Belém, a Resex Maracanã oferece experiências ligadas à gastronomia regional, com pescados e frutos do mar capturados pela pesca tradicional, além de passeios por trilhas e canoas, observação da fauna e da flora, sítios históricos, pesca esportiva e hospedagem familiar.
A unidade abriga praias de diferentes perfis. Entre as mais rústicas e de difícil acesso estão Marieta, Curuçazinho e Coruja. Já as praias Penha, São Tomé, Santa Helena, Itacuruçá, Suá Suá e Quarenta podem ser acessadas com maior facilidade.
Além de áreas de lazer, algumas praias funcionam como berçários de tartarugas marinhas e abrigam espécies como peixe-boi, boto, iguanas e o guará. A cultura local também faz parte da experiência, com grupos folclóricos, boi-bumbá, cordões de pássaros, festas religiosas, como o Círio de Nazaré, o Círio de São Miguel Arcanjo e a regata de São Pedro, além de festivais tradicionais, como os da gó, do açaí e do camarão


Florestas nacionais também estão entre os destinos mais procurados
Flona de Carajás
Localização: Abrange os municípios de Parauapebas, Canaã dos Carajás e Água Azul do Norte.
Como chegar: A partir de Belém, o acesso pode ser feito de avião, ônibus ou carro, pelas rodovias BR-316, PA-475 e PA-150.
Área: 391.263,04 hectares
Visitas em 2025: 103.650
Atrativos
A Floresta Nacional de Carajás reúne opções para quem busca ecoturismo e contato com a natureza. Entre os atrativos estão a Cachoeira de Águas Claras, cavernas ferríferas, trilhas na floresta, canoagem, observação de aves, lagoas pluviais, parque zoobotânico e áreas destinadas ao camping.
Além das atividades de lazer, a unidade recebe pesquisas científicas e ações de conservação, com destaque para estudos envolvendo espécies como o gavião-real e a arara-azul-grande, além da prática de observação de aves.
Como visitar: As visitas devem ser agendadas com a Cooperativa de Ecoturismo de Carajás (COOPERTURE), autorizada pelo ICMBio para conduzir visitantes na unidade.
Mais informações: @cooperture | (94) 99216-0362


Flona do Tapajós
Localização: Abrange os municípios de Belterra, Aveiro, Rurópolis e Placas.
Como chegar: O acesso terrestre parte de Belém pelas rodovias BR-316, PA-483 (Alça Viária), PA-252, PA-475, PA-263, BR-422 e BR-230 (Transamazônica), incluindo travessia de balsa em um trecho do Rio Xingu. Também é possível acessar algumas comunidades por via fluvial, saindo de Alter do Chão, em Santarém.
Área: 530.620,65 hectares
Visitas em 2025: 42.277
Atrativos
A Floresta Nacional do Tapajós oferece experiências voltadas ao ecoturismo, turismo de aventura, turismo científico e observação de aves. Trilhas, praias de água doce, igarapés, balneários e vivências em comunidades locais estão entre as principais atrações.
As atividades se concentram principalmente nas comunidades da porção norte da unidade, onde visitantes encontram trilhas ecológicas, passeios de canoa e serviços oferecidos por guias locais.


Parque Nacional da Amazônia preserva natureza e sítios arqueológicos
Parna da Amazônia
Localização: Abrange os municípios paraenses de Itaituba, Trairão e Aveiro.
Como chegar: O acesso pode ser feito por avião até Itaituba, por rodovia pela BR-230 (Transamazônica) ou por via fluvial, em embarcações que partem diariamente de Santarém.
Área: 1.084.895,62 hectares
Visitas em 2025: 2.476
Atrativos
O Parque Nacional da Amazônia protege nascentes que contribuem para os rios Tapajós e Amazonas e abriga espécies ameaçadas de extinção, como onça-pintada, anta e arara-juba. A unidade também preserva cerca de 30 sítios arqueológicos pré-colombianos cadastrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Os visitantes encontram estrutura com 11 atrativos, entre eles oito trilhas, um mirante, uma praia de água doce e um acampamento. O ICMBio recomenda que cada visitante leve alimentação, repelente, protetor solar, chapéu, roupas adequadas e calçados apropriados para caminhada.


Visitação cresce em várias unidades de conservação do Pará
Os números do ICMBio mostram crescimento da visitação nas unidades federais monitoradas no estado. As Reservas Extrativistas concentraram a maior parte do público, seguidas pelas Florestas Nacionais e pelo Parque Nacional da Amazônia.
Em 2025, seis unidades ampliaram o número de visitantes em relação ao ano anterior:
- Floresta Nacional de Carajás: de 81.665 para 103.650 visitas
- Floresta Nacional do Tapajós: de 35.977 para 42.277 visitas
- Resex Marinha de Caeté-Taperaçu: de 3.250 para 7.798 visitantes
- Resex Tapajós-Arapiuns: de 1.786 para 4.547 visitantes
- Resex Maracanã: de 150 para 3.260 visitantes
- Parque Nacional da Amazônia: de 2.389 para 2.476 visitantes
Já as reservas extrativistas marinhas de Soure e Mestre Lucindo registraram redução no número de visitas em comparação com o ano anterior. Ainda assim, a Resex Marinha de Soure permaneceu como a unidade de conservação federal mais visitada do Pará em 2025.
O desempenho reforça o interesse pelo turismo em áreas protegidas no Pará. Com praias, manguezais, florestas, rios e experiências de turismo de base comunitária, as unidades de conservação oferecem diferentes opções para quem deseja conhecer o patrimônio natural do estado.
Fonte: Diário do Pará



