InícioParáSeca dos rios e falta de transporte dificultam voto de indígenas no...

Seca dos rios e falta de transporte dificultam voto de indígenas no Pará; comunidades fazem vaquinha para chegar às urnas

- Advertisement -

Moradores de aldeias enfrentam longas distâncias, custos com combustível e dificuldades de navegação para participar do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).

Comunidades indígenas do Pará enfrentam dificuldades para chegar aos locais de votação para o segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo (25). A seca dos rios, a falta de transporte e os custos com combustível estão entre os principais obstáculos relatados por moradores de aldeias distantes dos centros urbanos. Diante da situação, algumas comunidades recorrem a vaquinhas para arrecadar dinheiro e custear o deslocamento até as urnas.

Em diversas regiões do estado, os rios são as principais vias de acesso às comunidades indígenas. Por isso, a redução do nível da água durante o período de estiagem pode dificultar a navegação e tornar as viagens mais demoradas. Para os eleitores que dependem de embarcações, a falta de recursos para abastecer os barcos também representa um desafio.

A situação preocupa lideranças indígenas, principalmente porque parte dos moradores precisa percorrer grandes distâncias para chegar às seções eleitorais. Sem transporte público disponível ou apoio suficiente para custear as viagens, algumas comunidades precisam organizar contribuições entre os próprios moradores para tentar garantir a participação na votação.

Longas distâncias dificultam o acesso às urnas

As dificuldades de deslocamento são especialmente evidentes em territórios indígenas localizados em áreas de difícil acesso. Em determinadas regiões, os trajetos envolvem viagens fluviais e deslocamentos complementares por terra, aumentando o tempo e os custos necessários para chegar aos locais de votação.

Uma ação apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal em Belém reúne relatos de comunidades indígenas do Pará que enfrentaram problemas para votar no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

Entre os casos mencionados estão os indígenas Araweté, da Terra Indígena Ipixuna, em Altamira, que precisam percorrer aproximadamente 250 quilômetros até a seção eleitoral. Já os Arara da aldeia Iriri, na Terra Indígena Cachoeira Seca, enfrentam uma distância de cerca de 380 quilômetros.

Outro caso envolve os Parakanã da aldeia Kema’o, na Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu. Segundo o MPF, o deslocamento até o local de votação em Altamira pode chegar a aproximadamente mil quilômetros, principalmente por vias fluviais.

De acordo com os relatos reunidos pelo órgão, essas comunidades não receberam transporte, combustível ou alimentação do poder público para realizar as viagens durante o primeiro turno.

Vaquinhas ajudam a custear o transporte

Diante das dificuldades financeiras, a arrecadação coletiva de recursos se tornou uma alternativa para comunidades que precisam custear o deslocamento dos eleitores.

O combustível está entre as principais despesas, especialmente para famílias que dependem de barcos para percorrer longos trajetos. Além disso, viagens demoradas podem exigir gastos com alimentação e outros itens necessários durante o percurso.

A falta de apoio financeiro pode dificultar a participação de moradores que não têm condições de arcar individualmente com os custos. Nessas situações, a organização coletiva busca reunir recursos para viabilizar o transporte de diferentes eleitores.

A situação evidencia que a distância entre as aldeias e os locais de votação, somada às dificuldades econômicas e ambientais, pode se transformar em uma barreira ao exercício do direito ao voto.

Seca dos rios aumenta as dificuldades

A estiagem na região amazônica também interfere na mobilidade das comunidades que dependem dos rios para se deslocar.

Com a redução do nível da água, alguns trechos ficam mais difíceis de navegar, exigindo mudanças de percurso e maior planejamento das viagens. Em áreas mais rasas, a navegação pode ser comprometida, aumentando o tempo necessário para chegar aos municípios onde estão instaladas as seções eleitorais.

Para os povos indígenas que vivem em regiões isoladas, as condições dos rios têm impacto direto no acesso a serviços públicos e no deslocamento para atividades essenciais, incluindo a participação em eleições.

Nesse cenário, a organização do transporte eleitoral exige atenção às características geográficas de cada território, além da disponibilidade de embarcações, combustível e recursos para alimentação dos passageiros.

MPF cobra medidas para garantir o direito ao voto

Diante dos problemas registrados no primeiro turno, o Ministério Público Federal ingressou, em 21 de outubro, com uma ação judicial para cobrar medidas que garantam a participação dos povos indígenas no segundo turno das eleições de 2026.

A ação foi apresentada à Justiça Federal em Belém e solicita que a União assegure transporte gratuito por vias fluviais, terrestres ou aéreas, além de alimentação para os eleitores indígenas.

O MPF também pediu recursos emergenciais para custear combustível, veículos e embarcações, além da disponibilização de intérpretes e facilitadores culturais nos locais de votação. A medida busca atender às necessidades específicas das comunidades, inclusive daquelas em que parte dos moradores não utiliza o português como primeira língua.

O órgão argumenta que a falta de estrutura de transporte pode impedir que cidadãos exerçam um direito garantido pela Constituição Federal.

A ação também solicita que os recursos gastos pelas próprias comunidades com combustível sejam reembolsados caso não seja possível disponibilizar transporte público.

Eleições exigem atenção às comunidades isoladas

Os relatos sobre as dificuldades enfrentadas pelos indígenas no Pará reforçam a necessidade de planejamento para garantir que eleitores de regiões remotas consigam chegar às urnas.

Embora existam medidas voltadas à ampliação do acesso aos locais de votação, a efetividade do atendimento depende de fatores como distância, condições de navegação, disponibilidade de combustível e organização logística.

Com o segundo turno marcado para domingo (25), a situação das comunidades indígenas coloca em evidência os desafios para assegurar a participação eleitoral em regiões onde o acesso depende diretamente dos rios.

Para essas populações, garantir o direito ao voto não envolve apenas a existência de uma seção eleitoral, mas também condições concretas para percorrer longas distâncias e chegar ao local de votação com segurança.

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -spot_img

Mais populares

Comentários recentes