
Um gol de David Braga, aos 41 minutos do 2º tempo, manteve o Remo com chances mínimas de permanência na Série A. Pode-se repetir a frase clichê: o Leão está vivo na competição. No cenário ideal, a vitória era o resultado desejado. A equipe de Thiago Carpini até teve algumas chances, foi cautelosa em excesso e custou a chutar em direção ao gol. O Grêmio apenas se mantinha atrás, tentando conter as investidas azulinas.
O empate terminou fazendo justiça ao desempenho dos dois times. A partida poderia ter ganho outros contornos, caso o confuso árbitro Davi de Oliveira Lacerda e o VAR tivessem confirmado o pênalti claro, aos 9 minutos, cometido pelo zagueiro Kannemann.
A bola cruzada por Marcelinho bateu claramente na mão do zagueiro, que tinha o braço aberto. Davi Lacerda, mesmo alertado pelo VAR, manteve a decisão de campo, e o jogo seguiu normalmente.
Depois disso, o jogo mergulhou no marasmo. O Grêmio ficava lá atrás e o Remo chegava raramente às proximidades da área gaúcha. Marcelinho, Vítor Bueno e Galeano arriscavam de fora da área, mas sem levar perigo.
Aos 24’, um raro momento agudo do Grêmio. Pavón cruzou na área, a bola ganhou efeito e quase entrou junto ao poste direito de Marcelo Rangel. Em seguida, Taliari tentou o cabeceio, mas subiu mal e a bola saiu por cima.
Aí, quando o jogo estava no fim, saiu o gol gremista. Em cobrança de escanteio, aos 47’, o volante Danilo Barbosa cabeceou para a pequena área, Wallace desviou e Kannemann bateu para as redes, com a zaga remista estática, torcendo com os olhos. Grêmio 1 a 0.
Para a segunda etapa, Carpini mudou posicionamentos, adiantou o meio-de-campo e passou a cercar a área adversária. Logo aos 12’, Weverton fez bela defesa em chute de Galeano. Três minutos depois, Taliari soltou a bomba, tirando fino da trave direita.
O Remo crescia na partida, com movimentação mais harmoniosa no meio, principalmente através de Vítor Bueno e Zé Ricardo, mas abria espaços atrás. Em duas estocadas, com Enamorado e Tetê, o Grêmio quase ampliou e Marcelo Rangel brilhou com defesas seguras.
Carpini lançou então Jajá, Patrick, David Braga e Eduardo Melo. O centroavante quase chegou ao gol em duas intervenções na área. Depois de muito insistir, o Remo finalmente chegou ao gol.
Aos 42’, Patrick cobrou falta na área, Taliari raspou de cabeça e David Braga acertou um cabeceio fulminante no canto direito, sem chances para Weverton: 1 a 1. Nos instantes finais, o Remo botou pressão, empurrado pela torcida, mas a chance mais clara coube ao Grêmio, com Enamorado desperdiçando diante de Marcelo Rangel.
O resultado frustrou os planos dos técnicos Thiago Carpini e Renato Gaúcho – que estreou no Grêmio. Ambos tentaram fazer o melhor com o limitado potencial técnico de suas equipes. O empate expressa por que ambas não estão na rabeira da competição por mero acaso.
Um brado de esperança: “Vamos remar, Remo!”
O querido amigo Antônio Carlos Salles, cronista paraense radicado em São Paulo, publicou ontem no Blog do Juca um libelo de apoio à causa remista e ao futebol do Pará. Com justificadas dúvidas sobre a permanência do Leão na Série A, ele decidiu inserir Nossa Senhora de Nazaré nessa trincheira de luta. Abaixo, alguns trechos do belo texto de Salles:
“Num dos momentos mais dramáticos do filme A Odisseia, Ulisses (Matt Damon) é obrigado a tomar uma decisão de vida ou morte. Antes de cruzar o Estreito de Messina, onde um redemoinho assombroso, sereias voluptuosas mas igualmente mortíferas e um monstro de várias cabeças o aguardam, juntamente com a esfalfada tripulação.
Ser derrotado não era a opção do líder. Chegar ao mar aberto, à duras penas, sim. A travessia rumo à Ítaca coleciona dissabores, penúria e vidas. Remam e lutam: bravamente, destemidamente, valentemente.
Este mar revolto, perigoso e traiçoeiro está à espreita do Clube do Remo. Nas rodadas finais do campeonato brasileiro, caberá aos seus leões famintos domar as feras das adversidades”.
O ídolo Marcelo Rangel é citado com louvor: “Um comandante à Ulisses o time tem. Chama-se Marcelo Rangel. Goleiro excepcional cujas defesas lembram os artistas do Cirque du Soleil, performance que nos momentos mais críticos une malabarismos diversos com a pirotecnia circense para evitar gols quase feitos.
Tornou-se unanimidade, incensado pelos grandes goleiros brasileiros. Jogasse ele nas cercanias da CBF ou tomasse cerveja ruim junto com Ancelotti e Ronaldo, seu nome já frequentaria as listas para futuras convocações. Há outros bons nomes no elenco que são fortes remadores em águas turvas e grandes ondas.
Exemplos de superação e fator campo não faltam para inspirar o CR. Como fez o Vitória na Copa do Brasil ao eliminar o Flamengo no Barradão. (…)
Assim como o Vasco, remontado, na goleada impiedosa no Coritiba (5/0), antes da data Fifa. E tem a inesquecível vitória do Corinthians contra o Chelsea no segundo título mundial do Timão.
São exemplos de arrancadas históricas dentro de campo, até para confirmar que, se a tática não funciona, que seja no improviso ou ainda, no resgate ao apoio do Sobrenatural de Almeida, de Nelson Rodrigues. Que mal há?”.
Salles arremata com a gloriosa história do clube azulino: “Depois de mais de 30 anos de ausência da Série A, não pode haver dúvida alguma sobre a arrancada final. Excluir a palavra ‘talvez’ do dicionário remista é obrigação da comissão técnica, dirigentes e atletas.
Na história do clube, remar é um ato de amor e celebração. É desviar das ondas imprevistas; é manter a gana para avançar. E assim tem sido desde as águas poluídas do Tâmisa pelos braços destemidos de Victor e Edgar Engelhard, quando estudavam em Londres. Por que agora seria diferente?
Vamos remar, Remo!”
Fonte: Diário do Pará



