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Ricardo Petraglia: ex-ator faz 76 anos e defende a maconha

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Ricardo Petraglia completa 76 anos nesta quarta-feira (7) longe da rotina que o tornou conhecido nas novelas. Aposentado da atuação, o artista vive atualmente em um sítio em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Há 20 anos no local, Petraglia também passou por outras mudanças. Nas redes sociais, onde usa o perfil “mobydickshow“, apresenta-se como “ator aposentado” e “ativista canábico”.

No terreno onde mora, costuma alugar um chalé e uma casa. É também do sítio que o ex-ator publica conteúdos relacionados à própria rotina, política e em defesa da legalização da maconha, tema que ganhou espaço em sua atuação pública depois do afastamento da televisão.

Ativismo e cultivo de maconha

Petraglia defende publicamente a descriminalização do cultivo e do uso da maconha, tanto para fins medicinais quanto para uso adulto. Ele possui autorização judicial para cultivar a planta para consumo próprio e mantém nove plantas no quintal do sítio.

O artista conseguiu a autorização depois de passar por uma operação no quadril e encontrar no canabidiol alívio para as dores. Nas redes sociais, também questiona a tentativa de dissociar a chamada cannabis medicinal da palavra “maconha”.

“Sou pela descriminalização da planta, seu cultivo e uso adulto ou medicinal”, escreveu recentemente.

Petraglia utiliza ainda a expressão “#plantalivre”. Segundo o próprio artista, sua militância também está ligada às consequências sociais da proibição, especialmente para pessoas pobres e negras encarceradas por questões relacionadas às drogas.

Ao comentar uma situação em que policiais foram até a sua propriedade depois de receberem uma denúncia de que havia cultivo de maconha no local, o ator aposentado disse que recebeu as autoridades e, com muita tranquilidade, apresentou toda a documentação necessária. Ele ainda elogiou a forma como os agentes de segurança pública o trataram.

“Os policiais entram, veem tudo e acabo ensinando um pouco sobre a planta”, comentou.

Xavier marcou a carreira

Mesmo aposentado, Ricardo Petraglia voltou às telas em 2025, mas por meio de uma reprise. “História de Amor”, novela originalmente exibida pela Globo em 1995, ganhou nova exibição na faixa Edição Especial e recolocou um de seus personagens mais lembrados diante do público.

Na trama de Manoel Carlos, Petraglia interpretou Xavier, marido de Marta (Bia Nunnes) e pai de Ritinha (Ingrid Fridman). Desempregado e acomodado, o personagem vivia às custas da mulher e continuou associado à imagem do ator décadas depois da exibição original.

Durante a reprise, Petraglia contou ao jornal O Globo que ainda era abordado nas ruas por causa do papel.

“Manoel é o responsável pela minha volta à TV depois de algum tempo. Eu o conheço desde criança. Ele era amigo da minha mãe. Um dia, estava no banco e nos encontramos. Ele perguntou: ‘Você está fazendo o quê?’. Aí me convidou para a novela. Depois, ainda fiz ‘Por amor’ com ele. Até hoje as pessoas me param na rua para falar do Xavier”, contou.

Carreira começou antes das novelas

Antes de Xavier se tornar um de seus personagens mais lembrados, Ricardo Petraglia já acumulava uma longa trajetória artística. O ator começou a trabalhar ainda no fim da década de 1960 e passou pelo teatro, pelo cinema, pela música e pela televisão. Nos palcos, integrou a montagem brasileira do musical “Hair”, em 1969. Anos depois, em 2003, comemorou 35 anos de carreira com o monólogo “O Rei dos Escombros”, espetáculo que também tinha texto assinado por ele.

Na televisão, Petraglia estreou em “A Revolta dos Anjos”, exibida pela extinta TV Tupi em 1972. A chegada à Globo ocorreu na década de 1970, e o currículo cresceu com produções como “Sem Lenço, Sem Documento”, “Água Viva”, “Jogo da Vida”, “Salomé” e “As Noivas de Copacabana”.

A década de 1990 concentrou alguns de seus trabalhos mais conhecidos. Em “A Viagem” (1994), interpretou Diogo; no ano seguinte, viveu Xavier em “História de Amor”. Depois, participou de “Salsa e Merengue”, “Por Amor” e “Meu Bem Querer”. Já nos anos 2000, esteve em produções como “Porto dos Milagres”, “Coração de Estudante”, “Malhação”, “A Lua Me Disse” e “Amazônia”.

Após “Amazônia”, Petraglia passou a concentrar os trabalhos televisivos na Record. Na emissora, integrou os elencos de “Caminhos do Coração”, “Poder Paralelo”, “Vidas em Jogo”, “Máscaras”, “Balacobaco” e “Pecado Mortal”, além de participar de “Milagres de Jesus”. O último trabalho na televisão foi “Os Dez Mandamentos”, em 2015, antes de abandonar a rotina de ator.

A carreira também chegou ao cinema. Entre os títulos de sua filmografia estão “Gabriela” (1983), “A Estrela Nua” (1984), “O País dos Tenentes” (1987), “Boca de Ouro” (1990), “Minha Vida em Suas Mãos” (2001) e “Apolônio Brasil, Campeão da Alegria” (2003).



Fonte: Diário do Pará

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